Cisto Complexo no Ovário é Perigoso? Operar?

Os cistos ovarianos são alterações, em sua grande maioria das vezes, benignas de formação sacular e oca, preenchidos em seu interior por líquido, sangue, pus ou outros fluidos e substância semi-sólida.

Basicamente, eles podem ter duas formas, uma chamada de  simples onde o seu conteúdo é somente algum tipo de fluido ou cisto complexo no ovário, por exemplo, que além do conteúdo líquido pode apresentar alguma outras estrutura geralmente sólida em seu interior. 

Os cistos no ovário podem acometer mulheres de todas as idades, sendo em sua maioria considerados funcionais ou fisiológicos, isto é, sem relação com nenhuma doença. Quando pequenos, costumam não apresentar sintomas e podem desaparecer espontaneamente.

No caso de ausência de sintomas ou maiores desconfortos, geralmente não precisam ser retirados, sendo apenas feito um acompanhamento clínico. 

Mas no caso de um cisto complexo no ovário, pode- se recomendar a retirada cirúrgica principalmente quando existe o risco se tratar de um tumor maligno.

Neste artigo, vamos abordar um pouco sobre os cistos ovarianos existentes, suas causas, sintomas, diagnósticos e quando se faz necessário a sua remoção, em caso de cisto complexo no ovário.

Confira abaixo!

O que é um cisto complexo no ovário?

diagrama mostrando Cisto Complexo no Ovario
O cisto complexo no ovário tem células e partes sólidas em seu interior.

Os cistos são lesões que podem surgir em diferentes locais no organismo, como nos rins, na pele, no fígado, no pâncreas, nas mamas, no cérebro, nas cordas vocais, nos ovários, entre outras partes do corpo. 

Basicamente, cistos são pequenas bolhas envoltas de uma fina membrana, contendo ar ou substâncias líquidas ou semi-líquidas, em seu interior. Por natureza, cistos são em sua grande maioria benignos, representados apenas por acúmulo de líquido em determinado tecido. 

Mesmo assim, embora os casos sejam raros, existem tumores malignos que podem apresentar um aspecto muito semelhante a de um cisto simples. Por isso, uma avaliação médica é sempre recomendável para determinar o tipo de cisto e a sua evolução.

No caso do cisto ovariano, ele tem a aparência de uma bolsa ou saco com líquido em seu interior, formando-se no próprio ovário ou ao redor do mesmo. Existem vários tipos de cisto no ovário, porém os mais comuns são chamados de cistos funcionais, formados durante o processo de ovulação, freqüentemente durante o período fértil da mulher.

A maioria deles é benigna e costuma desaparecer espontaneamente, da mesma forma que se desenvolveram. Dependendo do tamanho e de sua aparência, neste caso não necessitam de nenhum tratamento. 

Mas pode acontecer também desses cistos terem em seu interior células e substâncias mais sólidas que o normal, sendo estes considerados cisto complexo no ovário, que podem ser benignos ou malignos. Neste caso, a recomendação pode ser é a sua remoção para evitar problemas mais graves.

Tipos de cistos benignos de ovário

O Cisto Complexo no Ovário pode ser benigno.
O Cisto Complexo no Ovário pode ser benigno.

Como dissemos, a maioria dos cistos de ovário são benignos, ou seja, de formação fisiológica, sem nenhuma relação com doenças ou quadro patológicos.

Normalmente, esses cistos não costumam ter relação com câncer de ovário. 
Alguns podem ou não desaparecer sozinhos, apresentar ou não sintomas ou até nem precisar ser removidos, já outros a cirurgia se faz necessária. São eles abaixo:

Cisto folicular

Durante a ovulação, a cada ciclo menstrual, ocorrem diversas alterações hormonais para estimular o crescimento de um folículo ovariano, um pequeno cisto que contém o óvulo em seu interior. 

Em geral, lá pela metade do ciclo menstrual, esse folículo se rompe, liberando o óvulo em seu interior para que ele se dirija a uma das trompas. Quando o folículo ovariano cresce mais do que o normal e não consegue se romper para liberar o óvulo, ele continua a acumular líquidos em seu interior e a crescer, formando um cisto. 

Portanto, todo folículo não rompido que atinge, pelo menos, 2,5 cm de diâmetro é chamado de cisto folicular. Ele é o cisto ovariano mais comum de todos e ocorre principalmente em mulheres jovens. 

Geralmente, eles se resolvem espontaneamente em algumas semanas ou meses e desaparecem.

Cisto de corpo lúteo 

Quando folículo ovariano rompe-se e liberta o óvulo, ele passa a se chamar corpo lúteo, com a função de produzir progesterona para preparar o útero e o organismo para uma possível gravidez. 

Caso este óvulo não seja fecundado, ele se transforma em um acúmulo de tecido dentro do ovário, desaparecendo em poucos dias. 
No entanto, em alguns casos ele volta a se fechar e passa aa cumular fluido ou sangue em seu inteiror, persistindo por mais tempo dentro do ovário. Ele costuma ter mais de 3 cm de diâmetro, é normalmente encontrado em apenas um lado dos ovários (unilateral) e não produz sintomas.

Importante: Vale lembrar que mulheres mais velhas, que já estão na menopausa não ovulam mais. Por isso, não apresentam cistos foliculares ou de corpo lúteo. Da mesma forma, mulheres que tomam anticoncepcional hormonal para não ovular, também não podem apresentar cistos foliculares, assim como cisto de corpo lúteo.

Cisto hemorrágico 

O cisto hemorrágico é quando há sangramento no seu interior do corpo lúteo devido a lesão de pequenos vasos sangüíneos. Neste caso, a mulher pode sentir dores abdominais do lado em que o cisto está presente. Raramente pode existir um sangramento em grande quantidade para dentro da cavidade abdominal que pode levar a um quadro de hemorragia interna sendo necessário a abordagem cirúrgica. 

Cisto dermóide 

O cisto dermóide é um tumor quase sempre benigno, também conhecido por teratoma cístico maduro,  que geralmente afeta mulheres jovens, entre 20 e 40 anos.

Normalmente, ele é uma neoplasia de células germinativas, por isso é também chamado de cisto complexo no ovário, pois contém gordura, pedaços de ossos, pêlos, cartilagem, pele e até dentes em seu interior. 

Apesar de ser considerado benigno, em alguns casos mais raros ele pode se transformar em câncer. Neste caso, ele pode causar dor e chegar até a ultrapassar os 10 cm de diâmetro. Normalmente, este tipo de cisto é removido por cirurgia.

Ovários de aparência policística

Neste caso, ambos os ovários aumentam de volume em quase o dobro do normal e apresentam pequenos cistos em sua superfície externa. Normalmente, podem surgir em mulheres saudáveis ou mais comum em mulheres com doenças endócrinas. 

É importante dizer que essa é uma situação diferente da síndrome dos ovários policísticos, que por sua vez, inclui outros sintomas e anormalidades fisiológicas, além da presença desses cistos ovarianos.

Cisto endometrióide (Endometrioma) 

O cisto endometrióide se desenvolvem em mulheres com endometriose. Eles são formados quando o tecido endometrial, que recobre a face interna do útero, cresce dentro dos ovários (endometriose). 

Quando isso acontece, essa área sangrar e forma cistos amarronzados, também chamados de cistos “chocolate” ou endometriomas, por conta do seu conteúdo escuro e sanguinolento. 

Eles afetam mulheres durante o período reprodutivo e pode causar dor pélvica crônica durante a menstruação ou durante o ato sexual. Quando se rompem, provocam intensa dor abdominal e febre baixa, simulando um quadro de doença inflamatória pélvica (DIP) ou apendicite.

Cistoadenoma 

Esse é outro tipo de tumor benigno que se desenvolve nos ovários, mas que é preenchido por conteúdo seroso ou mucoso e atingir vários centímetros de diâmetro.

Por conta disso, é considerado também um tipo de cisto complexo no ovário, que necessita ser removido.
Ele pode chegar a ter até 20 cm de diâmetro, podendo surgir em ambos os ovários e não costuma desaparecer sozinho com o tempo, por isso a cirurgia é recomendada.

Cisto no ovario é perigoso? Veja os principais sintomas!

mulher com dor por cisto complexo no ovário
O cisto complexo no ovário pode não apresentar sintomas.

Como já dissemos, a maioria dos cistos de ovário são considerados benignos, não causam sintomas e acabam desaparecendo espontaneamente após algumas semanas. 

Quando não apresentam sintomas, normalmente são identificados durante exames físicos de rotina ou vistos por acaso em ultrassonografias realizadas por outros motivos.

Em geral, cistos ovarianos simples também não causam infertilidade nem provocam alterações menstruais, com exceção do endometrioma.
No entanto, há tipos de cistos no ovário que costumam provocar alguns sintomas sob as seguintes situações:

Crescimento do cisto

Quando o cisto no ovário atinge proporções maiores, a mulher pode apresentar sintomas como dor ou sensação de peso na região pélvica ou abdominal, dor durante o ato sexual, distensão abdominal, enjoos, vontade de urinar frequentemente (em caso de compressão da bexiga), dificuldade ou vontade súbita de evacuar (caso o reto seja comprimido) e ganho de peso (caso o cisto esteja crescendo muito).

Ruptura do cisto

No caso de uma ruptura do cisto, o sintoma característico é uma dor súbita e intensa unilateral na pelve. Normalmente, rupturas ocorrem durante um esforço físico intenso ou relação sexual, mas raramente provocam hemorragias graves. Pode haver um sangramento vaginal leve, mas esse não é um sintoma comum de ruptura de cisto.

Torção do cisto

Há casos em que o cisto cresce demais, podendo girar ao redor do seu próprio eixo, causando uma torção em si mesmo, do ovário ou da trompa uterina.

Os sintomas são semelhantes ao de ruptura de cisto, com dor intensa e súbita unilateral pélvica ou abdominal, podendo também causar náuseas e vômitos.

Outros sintomas de cisto ovariano sob estas condições:

  • Sangramento menstrual irregular;
  • Sensação de peso ou desconforto em abdome inferior ou pelve;
  • Dor pélvica durante o período menstrual sentida na região lombar baixa;
  • Dor pélvica após exercício intenso ou intercurso sexual;
  • Dor vaginal;
  • Infertilidade.

Cisto no ovário pode virar câncer?

Como vimos, os cistos são mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, e em sua maioria contêm e líquido, sem potencial maligno, podendo até desaparecer sozinhos após o período menstrual.

Sendo assim, não há motivo para pânico. Os riscos aumentam apenas no caso de cisto complexo no ovário, que possuem conteúdo sólido e aumentam de tamanho, ultrapassando 10 cm. Nestes casos, eles só podem ser diagnosticados com exames específicos, sendo a cirurgia o tratamento mais indicado.

Isso porque o câncer de ovário costuma ter a aparência de um tumor sólido, mas também pode ter uma aparência parecida com a de um cisto.

No entanto, em mulheres em idade fértil, o tumor de ovário é raro e representa menos de 1% dos cistos de ovário. Nas mulheres pós-menopausa, a maioria dos cistos também é benigna, no entanto, a ocorrência de tumores com aspecto semi-cístico ou cisto complexo no ovário é maior, demandando maiores cuidados em seu diagnóstico.

Felizmente, a maioria dos casos de cistos foliculares, de corpo lúteo, endometriomas ou cistos dermóides são facilmente detectados na ultrassonografia ou ressonância magnética, sem ser confundidos com tumores malignos.

Porém, quando em casos em que não seja possível descartar um tumor através dos exames de imagens, o cisto deve ser removido cirurgicamente para avaliação histopatológica. 

Alguns exames de sangue, como a dosagem do CA 125, também podem ajudar a distinguir tumores malignos de cistos benignos, como o cisto complexo no ovário.

Isso porque em 80% dos casos de câncer ovariano, os valores apresentados no exame estão aumentados.
Portanto, um cisto complexo no ovário pode vir a ser um câncer,embora isso seja muito raro de acontecer.

Como é feito o diagnóstico dos cistos de ovário?

Há formas como diagnosticar o cisto Complexo no Ovário.
Há formas como diagnosticar o cisto Complexo no Ovário.

Há casos em que os cistos ovarianos ou cisto complexo no ovário, podem ser percebidos durante os exames de rotina, como o exame físico abdominal ou exame de toque vaginal no consultório ginecológico.

Na desconfiança durante esses exames  e análise de demais sintomas relatados pelo paciente, o médico pode também pedir os exames abaixo:

Exames de Imagem

Normalmente, o ultrassom transvaginal é o melhor exame de imagem para o diagnóstico de um cisto ovariano, pois é possível diferenciar os cistos pelas suas características no ultrassom. 

O exame é indolor e feito através de um pequeno transdutor inserido dentro da vagina e direcionado para o útero e os ovários. Através desse condutor, o médico pode avaliar o conteúdo do cisto e categorizá-lo como cisto simples (preenchido por fluido), cisto complexo no ovário (com áreas fluidas e material sólido) ou cisto completamente sólido (sem fluido visível). 

Já a tomografia de pelve auxilia na avaliação da extensão do cisto e a ressonância nuclear magnética pode ser indicada em ocasiões especiais, quando necessário diferenciar alguns tipos de cistos.

Dosagem de Ca-125

No caso de um cisto completamente sólido, o Ca-125 é um exame marcador sangüíneo para o câncer ovariano. Ele é utilizado para avaliar o risco de câncer ovariano epitelial, pois pode ajudar a determinar se uma massa ovariana tem risco de ser maligna. 

Há alguns casos em que condições benignas também acarretam níveis elevados de Ca-125, portanto um valor elevado não significa necessariamente um tumor ovariano maligno.

Teste de Gravidez (beta-hCG)

Muitas vezes, o exame de sangue para gravidez é pedido para descartar a possibilidade de uma gravidez ectópica (gravidez fora do útero), pois alguns de seus sintomas podem ser bem semelhantes aos dos cistos complexos ovarianos.

Como é o tratamento para cisto complexo no ovário?

Já dissemos que cistos ovarianos funcionais são muito comuns e geralmente desaparecem sozinhos, sendo assim não necessitam de tratamento.

No entanto, algumas vezes podem crescer demais ou permanecerem aumentados por vários meses. Já um cisto complexo no ovário costuma causar maiores desconfortos, seja pelo tamanho aumentado ou algum outro risco de se tornarem malignos. Nesses casos, recomenda-se a remoção para determinar se são realmente benignos.

Muitas vezes, os anticoncepcionais orais podem ajudar a regular o ciclo menstrual e evitar a formação de folículos que possam se transformar em cistos ovarianos. Os anti-inflamatórios podem ajudar a reduzir a dor pélvica.

Em casos de cirurgia, a laparoscopia é a mais realizada. Nessa situação, o cirurgião identifica o cisto e procede com a sua remoção. Quando não há suspeita de malignidade, a cirurgia inclui apenas a remoção do cisto, preservando o restante do ovário. 

Quando o cisto no ovario deve ser operado?

Em casos de mulheres jovens, em idade fértil, a maioria dos cistos não exige tratamento, mas uma reavaliação ultrassonográfica após 8 semanas é geralmente indicada para o médico avaliar se o cisto desapareceu conforme esperado ou aumentou de tamanho neste intervalo.

No caso de aumento de tamanho para mais que 5 cm e com crescimento contínuo, principalmente na presença de sintomas severos e aparência suspeita observada em exames de imagem, a cirurgia para a remoção do cisto pode ser considerada. 

Cistos de ovário causados por endometriose também costumam requerer tratamento cirúrgico, assim como os casos de torção do cisto ovariano, cujo é uma situação de emergência que requer cirurgia.

É importante destacar que o tamanho do cisto não tem relação direta com a possibilidade de ser um câncer. Cistos grandes não são necessariamente malignos e cistos pequenos não são necessariamente benignos, por isso a importância dos exames de imagem para identificar o conteúdo deles.

No caso de mulheres em período pós-menopausa, que não ovulam mais, é importante a ultrassonografia e o valor do CA 125 para ajudam a definir a melhor conduta através da sua da aparência do cisto. 

No caso de um cisto de aparência benigna e CA 125 for baixo, por exemplo, apenas uma acompanhamento com exames de ultrassom a cada 3 ou 6 meses são necessários. Já em casos de dúvidas quanto à benignidade do conteúdo do cisto, a cirurgia será mais recomendada.

Como os cistos em mulheres mais velhas não costumam desaparecer espontaneamente, eles precisam ser acompanhados com exames de imagem, mas não são obrigatoriamente removidos por cirurgia, principalmente se for pequeno, assintomático e claramente benigno.

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