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O que é Criopreservação? Como Funciona?

O que é Criopreservação? Como Funciona?

Postado em: 24 de outubro de 2018

Ao longo dos anos, a mulher tem sua capacidade fértil consideravelmente diminuída. Isso ocorre porque ela já nasce com todos os seus folículos preparados, que irão ovular posteriormente. Por já estarem preparados ao nascimento, esses folículos envelhecem com o passar do tempo, e então acabam por amadurecer em óvulos menos saudáveis. Para evitar que essa […]

Ao longo dos anos, a mulher tem sua capacidade fértil consideravelmente diminuída. Isso ocorre porque ela já nasce com todos os seus folículos preparados, que irão ovular posteriormente. Por já estarem preparados ao nascimento, esses folículos envelhecem com o passar do tempo, e então acabam por amadurecer em óvulos menos saudáveis. Para evitar que essa condição seja um impeditivo à gravidez, a Medicina conta com a possibilidade de criopreservação do óvulos.

A criopreservação é uma técnica que permite conservar células por tempo indeterminado, de modo que elas sejam posteriormente utilizadas. Para isso, os tecidos são congelados com o uso de nitrogênio líquido, a temperaturas muito baixas – de aproximadamente 196º C negativos.

Podem ser preservados por esse método oócitos, espermatozoides e embriões. Hoje o congelamento de tecido ovariano também é possível, mas ainda é uma técnica experimental.

As situações mais conhecidas para a criopreservação de óvulos são em pacientes com diagnóstico de câncer, que serão submetidas a tratamento com quimioterapia ou radioterapia, e mulheres que desejam postergar a maternidade.

No caso dos espermatozoides, a criopreservação é menos comum, isso ocorre porque, diferentemente das mulheres, os homens produzem gametas durante toda a vida.

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Ou seja, os espermatozoides não envelhecem, assim é mais comum que os homens preservam seus gametas com o objetivo de doação das células para casais que desejam engravidar ou quando possuem alguma alteração mais grave nos seus gametas, seja na qualidade e/ou na produção.

O primeiro bebê gerado a partir de um embrião criopreservado nasceu na década de 1980. Desde então, a técnica evoluiu, e garante a preservação dos tecidos por longo tempo. Há registros, inclusive, de bebês nascidos a partir de espermatozoides e óvulos que permaneceram por mais de 20 anos congelados.

Criopreservação de gametas e embriões

Coleta do material

O processo de criopreservação passa por três etapas, que apenas juntas garantem o cuidado com o tecido protegido. Antes dessas etapas, contudo, é necessário fazer a coleta do material que será preservado.

Espermatozoides

Quando o objetivo é a mantença dos espermatozoides, os gametas podem ser obtidos de dois modos. O mais comum é a coleta por masturbação.

No entanto, podem ocorrer situações em que o indivíduo tem dificuldades em ejacular, ou então o número de espermatozoides presente em seu sêmen é muito baixo ou até ausente. Nessas ocorrências, o médico pode realizar a punção ou uma biópsia do local em que são produzidos, nos testículos.

Assim que coletado, o sêmen é processado para que os espermatozoides sejam separados do plasma seminal e de resíduos celulares. As características deles avaliadas são motilidade e morfologia. Os espermatozoides de melhor qualidade são congelados.

Óvulos

Já as mulheres passam por um processo mais trabalhoso. Primeiro, é necessário induzir sua ovulação. Isso significa estimular os ovários a liberar os óvulos, os gametas que serão congelados. Também seria possível aguardar a ovulação natural feminina, mas isso é bem pouco prático. Afinal, ela pode demorar, além de normalmente liberar apenas um óvulo. Com a indução, por outro lado, é possível programar a liberação das células, além de poder obter várias delas.

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Um pouco antes da ovulação, o médico faz a punção dos folículos para aspirar os óvulos. Para isso, ele utiliza um ultrassom transvaginal, pelo qual se guia em um monitor de imagem, e faz a retirada das células com o auxílio de uma agulha fina. O procedimento pode ou não ser feito com o uso de anestesia local, e dura em média 20 minutos.

Embriões

Após a realização de um procedimento de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV),  mais de um embrião pode ser produzido. Caso o casal não engravide naquela tentativa, na próxima outro embrião já congelado pode ser utilizado. O acondicionamento das células, inclusive, funciona para uma possível gravidez futura, em alguns anos, caso o casal assim deseje.

Tecido ovariano

É possível que o tecido do ovário da mulher também seja criopreservado. Para o método experimental, parte do ovário, ou todo ele, é retirado do corpo por meio de uma videolaparoscopia. Em seguida, os tecidos são congelados, e podem assim permanecer por tempo indeterminado.

Após o tratamento contra o câncer, por exemplo, a mulher pode ter o tecido reimplantado no organismo. Com isso, ele pode voltar a atuar e permitir a liberação dos óvulos.

Essa opção ainda é recente, e seus resultados pouco documentados. Segundo informações mais superficiais, mais de 60 bebês no mundo nasceram após a implantação ovariana na mulher.

Entenda como funciona a reprodução humana neste texto.

Passa a passo da criopreservação

Assim que todos os materiais são coletados, eles recebem algumas substâncias protetoras. Essas substâncias, chamadas crioprotetores, serão as responsáveis por evitar a formação de cristais de gelo dentro das células, o que as destroem. Os crioprotetores ainda protegem as células no momento do seu descongelamento.

Logo em seguida, são utilizadas técnicas lentas ou ultra rápidas de congelamento. No método lento, mais antigo, o material é colocado no freezer e a redução da temperatura é feita a uma velocidade de 0,5 a 2 °C por minuto.

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Essa redução dura até a temperatura atingir os -7 °C, e em seguida os graus são diminuídos a 0,3 °C por minuto, até chegar aos -30 °C. No passo seguinte, chega-se a -150 °C, a uma velocidade de 50ºC por minuto. Após cerca de quatro horas, o freezer atinge os -196 °C ideais para a criopreservação. Já o descongelamento das células é feito em  menos de 1 hora.

No congelamento ultra rápido, a temperatura cai muito mais rapidamente. O método é o mais utilizado pois, segundo pesquisas, prejudica menos os embriões, gametas e ovários preservados.

Na última etapa do processo, as matérias são armazenadas em tanques de nitrogênio líquido. Para isso, elas são colocadas em pequenas palhetas, sob uma temperatura de -196 ºC.

Para quem a criopreservação é indicada?

As indicações para o uso da criopreservação são diversas. Como já citado, a técnica é utilizada, muitas vezes, para a preservação de embriões que poderão ser utilizados em gravidezes posteriores.

A opção também é interessante para quem deseja preservar os seus gametas para tentativas futuras de concepção, seja devido a um tratamento que pode prejudicar o sistema reprodutor, seja pela idade, especialmente da mulher. A fertilidade costuma diminuir a partir dos 35 anos – por isso, a data ideal para a criopreservação é antes desta idade.

Ademais, a criopreservação é utilizada para o acondicionamento de células para doação. Muitos casais não possuem óvulos ou espermatozoides saudáveis para concepção. O uso de células doadas, então, pode permitir a gravidez. Para garantir que o bebê gerado possua características físicas do casal em tratamento, o médico responsável pelo procedimento escolhe os gametas com características genéticas semelhantes às dos receptores. Todo o processo é feito de forma anônima pois, de acordo com a lei brasileira, doadores e receptores não podem se conhecer.

Riscos do processo

Apesar da técnica ser uma das mais avançadas na conservação de materiais biológicos, a criopreservação pode acabar por modificar os gametas e tecidos acondicionados. Como citado, a motilidade dos espermatozoides, por exemplo, costuma diminuir em até 50%.

Enquanto isso, é possível que os óvulos tenham o seu citoplasma lesado. O citoplasma é a camada interna gelatinosa da célula. A membrana plasmática, ou seja, a camada que reveste o citoplasma, pode também perder sua integridade, assim como a zona pelúcida (camada externa gelatinosa da célula). Entre 5% e 20% dos óvulos são perdidos após seu congelamento.

Embriões têm taxa de sobrevivência mais alta: de 90% a 95%. Sua qualidade também pode ser reduzida após o congelamento, em até 50%.

Para quê os materiais são utilizados?

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Assim que os materiais criopreservados são descongelados, eles podem ser utilizados para a reprodução do casal. O uso do tecido ovariano, por exemplo é realizado por meio da sua reimplamentação, que pode permitir o retorno do funcionamento dos ovários da mulher.

Em contrapartida, os embriões são transferidos para o útero da mulher. Na transferência, o embrião precisa se fixar ao endométrio, o tecido interior do útero. Caso consiga fazê-lo, ocorre a implantação e dá-se início à gravidez.

Já os gametas podem ser utilizados para a inseminação artificial, fertilização in vitro (FIV) e ICSI. Na inseminação, a ovulação da mulher ocorre de maneira natural, sem a utilização de material captado. Nela, os espermatozoides são inseridos ao fundo do útero da mulher, e se movem de encontro ao óvulo. Caso consiga alcançar o gameta feminino, o espermatozoide o fecunda e gera um embrião. Esse processo de fecundação ocorre normalmente na tuba uterina.

Na FIV, ambos os gametas podem ser fruto da criopreservação. Neste método, óvulo e espermatozoides são levados ao laboratório e unidos. Essa união gera um embrião, que então é amadurecido por cerca de cinco dias. Logo depois, ele é transferido para o útero da mulher e deve se fixar ao endométrio para que a gestação se inicie.

Finalmente, na ICSI os espermatozoides são analisados e o mais saudável é escolhido. Em seguida, ele é injetado diretamente no óvulo por uma fina agulha, fecundando-o. O embrião gerado é amadurecido em laboratório e transferido para o útero feminino.

Regras para criopreservação

As regras para o uso da criopreservação no Brasil são definidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo o órgão, o laboratório pode sugerir o descarte de embriões congelados após 5 anos de acondicionamento, especialmente para a doação a outros pacientes ou para a pesquisa. Contudo, os pacientes donos do material genético também podem optar por manter a criopreservação após esse período.

Além disso, apenas mulheres com idade inferior a 50 anos podem passar por técnica de reprodução assistida. O limite visa prevenir gravidezes de risco.

Quais os custos da técnica?

Para o acondicionamento os tecidos, os laboratórios cobram mensalidades, semestralidades ou anuidades. Os custos variam de acordo com o material guardado e a empresa responsável pelo serviço. Uma taxa única também costuma ser cobrada no ato da assinatura do contrato.

Leia também: Como procurar a melhor clínica de reprodução assistida