Dores após histerectomia é normal? Como é a recuperação pós-cirurgia?

Para quem não sabe, histerectomia é uma cirurgia ginecológica feita para remover o útero, e como toda cirurgia, independentemente do processo escolhido,pode  apresentar dores em qualquer paciente.

A histerectomia pode ser total, subtotal ou radical, sendo que a cirurgia pode ser realizada por laparoscopia, abdominal ou vaginal, conforme a patologia e nível de gravidade, após avaliação clínica.

Após a cirurgia, a paciente costuma apresentar alguns sintomas associados ao próprio  procedimento, além de ter que manter alguns cuidados durante a recuperação.

As cólicas abdominais, por exemplo, estarão presentes nos primeiros dias após a cirurgia, talvez certa dificuldade para urinar, constipação intestinal e sangramento pela vagina mais alguns dias. Com relação aos cuidados pós-operatório, é bom dar atenção aos curativos, evitar fazer esforço e relação sexual, entre outras recomendações.

Para que não fiquem dúvidas, vamos esclarecer abaixo sobre o procedimento, inclusive que tipo de dores após histerectomia é normal e certos cuidados que você deve tomar.

Confira a seguir!

Tipos de histerectomia

Dores após histerectomia podem ocorrer
Há alguns tipos diferentes de histerectomia.

A histerectomia pode ser classificada de acordo com a extensão da cirurgia, isto é,

dependendo de quais órgãos, além do útero são removidos no mesmo procedimento, podendo até associar outros procedimentos cirúrgicos, como por exemplo:

  •     Histerectomia total (completa) – cirurgia mais frequente, em que remove-se o útero totalmente, incluindo o corpo de útero e o colo uterino. Este é o tipo mais realizado.
  •     Histerectomia subtotal (parcial) – retira-se apenas o corpo uterino, preservando o colo do útero, em casos de dificuldade técnica durante a cirurgia, a fim de reduzir os riscos de complicações intra e pós-operatórias.
  • Histerectomia radical ou cirurgia de retirada de útero – remove-se o útero por completo, os ligamentos que o envolvem (os paramétrios) e a porção superior da vagina, apenas em casos de doença maligna ginecológica.

No caso da histerectomia remover uma ou ambas as trompas é chamado de salpingectomia uni ou bilateral, caso tenha que retirar um ou ambos os ovários denomina-se ooforectomia uni ou bilateral, e na remoção da trompa e ovário de um ou ambos os lados, o procedimento é chamado de anexectomia uni ou bilateral.

Portanto, em casos de patologias que envolvem as trompas ou os ovários, a cirurgia pode ser chamada de histerectomia total com anexectomia bilateral, por exemplo.

Indicações para histerectomia

Por muitos anos, a histerectomia foi o único tratamento para algumas patologias ginecológicas, mesmo quando benignas. No entanto, os avanços na medicina proporcionaram outras técnicas terapêuticas menos invasivas, diminuindo a sua realização.

Sendo assim, a remoção do útero deve levar em conta vários fatores que levaram à causa da patologia, quando não se obteve resposta a outros tratamentos médicos anteriores, bem como a idade da paciente e seus planos de engravidar no futuro.

Normalmente, a histerectomia é indicada em casos de leiomiomas uterinos, hemorragias uterinas anómalas, dores pélvicas, prolapso dos órgãos pélvicos e doença maligna ou pré-maligna, como câncer do útero ou colo do útero, trompas e ovários.

Como a histerectomia é realizada?

médico com útero na mão
A histerectomia pode ser realizada de algumas formas diferentes.

Com relação aos diferentes tipos de cirurgia e à técnica cirúrgica empregada em cada uma delas, a histerectomia pode ser realizada por via laparoscópica, abdominal ou vaginal.

A escolha há de se levar também em conta vários fatores, como o tipo de patologia que está causando a realização do procedimento, o tamanho e a mobilidade do útero, os antecedentes pessoais (doenças associadas) e cirúrgicos da paciente, além da experiência do cirurgião em cada uma das técnicas.

Histerectomia laparoscópica (videolaparoscopia)

Realizada através de pequenas incisões (entre 12 e 5 mm) na parede abdominal, a fim de introduzir uma câmara óptica, bem como instrumentos cirúrgicos na cavidade pélvica (barriga), para se visualizar e realizar a cirurgia.

Esse procedimento é menos invasivo, pois não há abertura da parede abdominal (barriga), além de menos doloroso e de rápida recuperação. A anestesia utilizada é a geral.

Histerectomia vaginal:

Realizada através da vagina, também sem incisões (aberturas) abdominais, mais utilizada em casos de prolapso uterino. Por não haver incisão e cicatriz, a recuperação é mais fácil, menos dolorosa e mais rápida. É realizada com anestesia geral ou analgesia epidural.

A histerectomia abdominal (“via aberta”):

Realizada através de uma incisão no abdômen, longitudinal ou transversal, com visualização e manipulação direta do útero ou demais órgãos pelo cirurgião.

Normalmente, é a abordagem realizada com mais frequência em casos de histerectomia abdominal total, em que após a retirada do útero e do colo, sutura-se a vagina para fechar, sem alterar sua função ou anatomia. A anestesia utilizada é a geral.

Importante: Após a cirurgia, os órgãos removidos (útero, colo, trompas ou ovários) são enviados para estudo da sua histologia por um especialista (Anatomopatologista), a fim de se obter um diagnóstico definitivo.

Possíveis riscos e complicações em caso de histerectomia

ë possível ocorrer algumas complicações após a histerectomia, mas é raro.
ë possível ocorrer algumas complicações após a histerectomia, mas é raro.

Os riscos associados à realização da histerectomia dependem do grau de complexidade da própria técnica cirúrgica escolhida e dos riscos inerentes à paciente (histórico médico).

Obviamente, pacientes com comorbidades associadas podem apresentar maiores risco de complicações durante e/ou após a cirurgia. Por isso, não se deve deixar de tomar as medidas preventivas pré-operatórias recomendadas pelo médico.

As cirurgias em casos de câncer ou endometriose, por exemplo, os riscos de complicações são maiores pela complexidade da técnica cirúrgica (histerectomia radical).

A histerectomia total apresenta riscos variáveis dependendo da abordagem, mas em geral, são pouco frequentes. Já a histerectomia via vaginal é a abordagem que possui menor taxa de complicações, se comparada às vias abdominal e laparoscópica, embora esta última tenha apresentado taxas de complicações igualmente baixas, por conta da frequência de realizações.

Dores após histerectomia é normal, mas quando há complicações, as principais são hemorragia, infecção, complicações urinárias e intestinais.

Hemorragia

A hemorragia em excesso pode ocorrer durante a cirurgia, sendo controlada no mesmo momento, ou surgir como uma complicação no período pós-operatório. Neste caso, se o sangramento for grave, pode ser necessária uma nova cirurgia, apesar de ser raro. Ela pode também manifestar-se em forma de hematoma, indicando-se a observação e cuidados.

Infecção

Através da antibioterapia profilática prévia à cirurgia, a infecção pós-operatória diminuiu bastante. Mesmo assim, pode ocorrer infecção da cicatriz, infecção vaginal, infecção intra-abdominal (na barriga) ou urinária, sendo o tratamento com antibiótico adequado, dependendo do tipo de infecção.

Lesão de órgãos adjacentes

Qualquer procedimento cirúrgico está sujeito ao risco de lesão de algum órgão adjacente, no caso da histerectomia, abdominal, como a bexiga, o ureter e intestino. Caso ocorram, as lesões são devem ser identificadas e solucionadas durante a própria cirurgia.

Complicações urinárias

A incontinência urinária é uma das complicações mais comuns, principalmente no caso de prolapso dos órgãos pélvicos, visto que a anatomia da bexiga e da uretra se encontra alterada. Se a mulher já apresentar sintomas de incontinência urinária antes da cirurgia, eles podem se tornar mais evidentes logo após.

Nas demais situações, o risco de ocorrer incontinência urinária após uma histerectomia é reduzido, já que as técnicas cirúrgicas atualmente permitem manter a bexiga e a uretra na sua posição normal.

Já em caso de histerectomia por miomas uterinos de grandes dimensões, que comprimem a bexiga e promovem sintomas urinários, há um alívio destes sintomas após a cirurgia.

Deiscência da cúpula vaginal

A zona superior da vagina é chamada cúpula, sendo que quando suturada e fechada após a histerectomia, pode abrir, acarretando na sua deiscência, com hemorragia e formação de granuloma (tecido mais endurecido), que dependendo das suas dimensões, pode provocar dor. Apesar de ser uma complicação rara, quando ocorre exige nova cirurgia por via vaginal ou abdominal, dependendo da sua gravidade.

Dores após histerectomia é normal?

As dores após histerectomia podem ocorrer.
As dores após histerectomia podem ocorrer.

Dores após histerectomia é normal, principalmente na região abdominal (barriga) por conta da própria cirurgia e cicatriz, caso tenha sido uma histerectomia abdominal.

Além disso, a permanência na cama nos primeiros dias após a cirurgia pode acarretar em dor lombar (dor nas costas). Normalmente, essas dores podem ser controladas e aliviadas com os medicamentos analgésicos, bem como diminuem de intensidade ao longo do tempo.

As histerectomias laparoscópica e vaginal acarretam bem menos dores no período pós-operatório.

O que mais pode-se esperar após uma histerectomia?

Além das dores após histerectomia, a distensão abdominal (“barriga inchada”) também é comum nos primeiros dias depois da cirurgia. Isso porque o intestino geralmente demora 12 a 24 horas para se restabelecer e voltar ao funcionamento normal, por isso pode acumular gases.

No entanto, assim que se inicia a hidratação, alimentação e a deambulação (andar) os sintomas diminuem.

Há também a probabilidade de haver uma pequena hemorragia (sangramento) vaginal, logo nos primeiros dias após a cirurgia, devido a cicatrização da cúpula da vagina, bem como um corrimento de cor acastanhada, escasso e sem cheiro.

Algumas situações que podem não ser consideradas normais, e que devem ser avaliadas pelo médico, seguem abaixo:

  •     Dor abdominal intensa, que não alivia com medicação ou que vai aumentando de intensidade e duração;
  •     Dor lombar (dor nas costas) persistente e localizada;
  •     Hemorragia (sangramento) vaginal moderada à abundante, ou que vai aumentando de volume;
  •     Corrimento vaginal com mau cheiro;
  •     Febre persistente (temperatura superior a 38º C);
  •     Problemas de funcionamento do intestino (obstipação) durante vários dias, associado a distensão abdominal (“barriga inchada”);
  •     Cicatriz inflamada (quente, vermelha, edemaciada), produzindo secreções (líquido), inchaço ou sangramentos.

Pós operatório e recuperação da histerectomia

O tempo de recuperação após uma histerectomia pode variar de uma a oito semanas, dependendo do procedimento cirúrgico escolhido e complicações no pós-operatórias. Em todo caso, o repouso de faz necessário por cerca de 30 dias, antes de iniciar qualquer atividade física.

Dores após histerectomia é normal, mas o pós operatório de histerectomia total é menos doloroso e tem uma recuperação mais rápida quando feita por via vaginal ou laparoscópica.

Já no caso de uma histerectomia abdominal, por ser bem mais invasiva, a recuperação levará mais tempo. Há quem prefira usar uma cinta no período pós-operatório por ser mais confortável caso tenha que fazer algum esforço abdominal, ou proteger a cicatriz.

Durante a consulta de avaliação pós-operatória, em geral feita após o 1º mês da cirurgia, o médico poderá liberar os exercícios físicos leves e caminhadas, sem esforços abdominais e de forma gradual.

No caso de uma histerectomia por prolapso dos órgãos pélvicos, as atividades físicas serão mais limitadas, para evitar o risco de recorrências. A retomada das relações sexuais também devem ser avaliadas pelo médico, afim de evitar complicações a nível da cúpula vaginal.

No mais, durante a recuperação é importante tomar alguns cuidados com os curativos, mantendo-os limpos e secos após lavar com água e sabão neutro. Já os esforços devem ser mantidos em moderação por pelo menos três meses, evitando carregar pesos, fazer exercícios e movimentos bruscos.

O que muda na vida da paciente após a histerectomia?

A histerectomia traz algumas consequências para a vida da mulher, mas nada que piore a sua qualidade de vida. A principal é não poder engravidar, já que o útero é removido.

No mais, caso a mulher ainda esteja menstruando e ainda não chegou na menopausa, mas realizou histerectomia com anexectomia bilateral (remoção das trompas e ovários), ela passará a ter sintomas associados, por conta ausência na produção de hormônio.

Dessa forma, ela entrará diretamente na menopausa, podendo ter sintomas como ondas de calor, afrontamento, insónias, irritabilidade, alterações de humor e aumento de peso. Neste caso, o médico pode indicar a reposição hormonal.

Em caso de cirurgias realizadas por hemorragias uterinas, dores pélvicas e miomas uterinos, a qualidade de vida da paciente costuma melhorar bastante.

Com relação à vida sexual, não há grandes alterações. No entanto, no caso da menopausa, pode haver uma diminuição na líbido (desejo e vontade sexual) e secura vaginal, que podem ser contornados com medicamentos.

Além disso, a remoção do útero cessa a menstruação, mesmo que os ovários permaneçam intactos, pois a mulher continua ovulando nesse caso. Por isso, é comum sentir cólicas parecidas com as da menstruação. No caso de uma histerectomia parcial (preservando o colo do útero), pode haver pequenas hemorragias vaginais cíclicas mensais.

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