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Endometriose e Gravidez: Profunda, Cuidados, Tem Cura?

Endometriose e Gravidez: Profunda, Cuidados, Tem Cura?

Postado em: 4 de dezembro de 2018

Segundo a Associação Brasileira de Endometriose, cerca de 7 milhões de brasileiras sofrem da doença.  O problema ocorre devido a uma desordem do endométrio. O endométrio é o tecido que reveste o interior do útero. É nele que um embrião se prende após a união entre o óvulo e espermatozoide. O tecido é também o […]

Segundo a Associação Brasileira de Endometriose, cerca de 7 milhões de brasileiras sofrem da doença.  O problema ocorre devido a uma desordem do endométrio.

O endométrio é o tecido que reveste o interior do útero. É nele que um embrião se prende após a união entre o óvulo e espermatozoide. O tecido é também o que nutre as células em seu primeiro estágio, promovendo seu desenvolvimento em um feto. Para realizar essa função, mensalmente o endométrio se torna mais espesso, por meio da ação hormonal do corpo feminino.

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Caso uma gravidez não ocorra, contudo, este tecido endometrial precisa ser eliminado e renovado para o período fértil seguinte. Essa eliminação é chamada de menstruação. Com o processo, parte do tecido descamado é levado à cavidade abdominal, mas as células de proteção do organismo fazem a limpeza do local.

Porém, há situações em que as células protetoras não são eficazes. Uma das teorias sobre endometriose afirma que parte do endométrio não é eliminado, e se acumula na parede externa do útero. O tecido pode ainda aderir a outros órgãos, como aos ovários, à bexiga e ao intestino.

As causas dessa migração e adesão do endométrio ainda são desconhecidas. De qualquer forma, especialistas acreditam que o problema tem características hereditárias. Isso porque, mulheres que possuem mãe ou irmã com endometriose têm mais chance de desenvolver o problema.

Assista a Live com Dr Joji Ueno. Ele Falou sobre as causas, tratamentos e tirou dúvidas que recebemos nas principais interações. Saiba também sobre a relação entre a endometriose e a infertilidade feminina:

Endometriose: sintomas

Estima-se que 30% das pacientes com endometriose tenha chances de se tornarem inférteis, caso o problema não seja devidamente tratado. Há uma questão, porém, que dificulta este tratamento: o diagnóstico tardio.

Isso ocorre porque o principal sintoma da endometriose é a cólica intensa. O senso popular acredita que a dor aguda da cólica é comum, e então as mulheres não procuram o médico. Contudo, qualquer mulher em idade fértil, ou seja, normalmente entre os 14 e 45 anos, pode desenvolver o problema. Logo, é fundamental buscar o ginecologista quando o sintoma prejudicar simples atividades do dia a dia.

A dor, aliás, pode aparecer tanto durante a menstruação, quanto em outros momentos durante o mês. A cada 10 mulheres que sofrem de endometriose, 2 percebem apenas a cólica aguda como sintoma. Outras 6 também verificam dificuldades em engravidar, enquanto 2 têm como sintoma apenas a infertilidade.

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Além destes, é possível que a paciente sinta dor durante a prática sexual. É igualmente comum o sangramento intenso ou irregular da menstruação, e fadiga crônica. Durante a menstruação, a mulher também pode apresentar alterações urinárias ou intestinais.

Há ainda aquelas que não sofrem de nenhum sintoma. Por isso, é mais comum que a endometriose seja diagnosticada apenas após certo tempo de tentativas frustradas de gravidez natural.

Sintomas: por local afetado

A apresentação dos sintomas pela mulher também varia de acordo com o órgão de aderência do endométrio. Citaremos os sinais do problema em três órgãos comuns: o intestino, os ovários e a bexiga.

Quando o intestino é o afetado, por exemplo, a mulher pode perceber sangue nas fezes e dor muito intensa ao defecar. É igualmente comum que a paciente tenha a sensação constante de inchaço da barriga, dor persistente no reto, e prisão de ventre acompanhada de cólicas agudas.

Se o endométrio afeta os ovários, por outro lado, os principais sinais do problema são mais genéricos. Ou seja, incluem dor no ato sexual, cólica intensa e sangramento menstrual excessivo.

Por fim, na endometriose na bexiga a mulher sente dor ao urinar. Também é comum que ocorra dor intensa durante o sexo, e a incontinência ou vontade excessiva de urinar. Nesse caso, ainda pode ser possível perceber pus ou sangue na urina.

Tipos de endometriose

Existem dois tipos principais de endometriose: a superficial e a profunda. Na primeira, o endométrio adere apenas à superfície dos órgãos, penetrando no máximo cinco milímetros do tecido. Ela geralmente atinge as tubas uterinas, ovários, bexiga e útero. Seu tratamento é mais simples.

Já na endometriose profunda, o tecido endometrial invade o órgão por mais de cinco centímetros. Este tipo é o principal causador da infertilidade. Ele geralmente atinge os ovários, útero,  intestino, ureteres, bexiga, apêndice e ligamentos útero-sacros. Os ligamentos útero-sacros ficam localizados atrás do útero, e são responsáveis pela fixação e sustentação do órgão uterino.

Diagnóstico do problema

De forma geral, um casal demora aproximadamente 12 meses para conseguir engravidar naturalmente. Isso ocorre porque, mensalmente, a mulher só tem 20% de conceber, durante o seu período fértil. O período fértil é o momento em que o óvulo feminino está disponível para a fecundação do espermatozoide. Em um ciclo regular, ele acontece no 14º dia após o primeiro dia da última menstruação.

Após um ano, contudo, a dificuldade em conceber pode sugerir um problema de infertilidade. Por isso, é indicado que o casal busque auxílio de um especialista, que vai realizar uma série de exames para avaliação da sua capacidade de reprodução. É neste momento que a endometriose é normalmente identificada.

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Para o diagnóstico, o médico solicita exames físicos, laboratoriais e também de imagem. Além destes, é feito exame ginecológico, por meio do exame de toque. Com o teste, o especialista geralmente consegue perceber as alterações provocadas pelo tecido endometrial, especialmente no caso da endometriose profunda.

Testes de imagem

Os principais exames de imagem realizados no diagnóstico da endometriose incluem o ultrassom endovaginal, a ressonância nuclear magnética e a ecocolonoscopia. Na ultrassonografia transvaginal, um pequeno aparelho é introduzido na vagina da mulher, e em seguida produz ondas sonoras. Transmitidas para um monitor, essas ondas se transformam em imagens, e permitem visualizar útero, trompas, ovários e outros órgãos, além das alterações provocadas pelo endométrio.

No caso da ressonância magnética, as imagens geradas são pouco mais claras, e facilitam ainda mais o diagnóstico. Somada a ela, o especialista pode solicitar a ultrassonografia transretal e a tomografia computadorizada, que também oferecem percepção mais precisa do quadro de saúde feminino.

Caso necessário, ainda é possível realizar avaliação do tecido lesionado. Neste caso, é necessário fazer uma biópsia, por meio da  laparoscopia ou da laparopotomia. A primeira é um método indicado tanto para o diagnóstico, quanto para o tratamento da endometriose.

Para realizar a laparoscopia, a mulher recebe pequenas incisões no abdômen. Em seguida, é inserida uma câmera e instrumentos que vão permitir a coleta do tecido. Assim, guiado pelas imagens transmitidas a um monitor, o médico obtém material para análise em laboratório. O passo a passo da laparotomia é semelhante, mas requer corte maior no abdômen. Por isso, o método é menos utilizado.

Tratamento da doença

Não existe cura definitiva para a endometriose. O que os tratamentos disponíveis fazem é o controle da doença, eliminando seus sintomas e garantindo qualidade de vida à paciente.

Para a terapia do distúrbio, então, existem dois métodos básicos: a cirurgia e o uso de medicamentos. A indicação de cada uma ocorre de acordo com a gravidade do problema, e também avaliando se a mulher deseja ou não engravidar futuramente.

Quando a mulher ainda deseja engravidar, o tratamento vai ser o menos invasivo possível, buscando manter sua capacidade reprodutiva. Neste caso,  o médico pode sugerir o uso de anticoncepcionais, que devem controlar o sistema hormonal feminino e dificultar o acúmulo do endométrio. São utilizados também analgésicos, anti-inflamatórios, e os análogos de GNHR e Dienogeste. Com o mesmo princípio hormonal, é comum o uso do DIU hormonal.

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Cirurgias para tratamento

Ainda é possível realizar cirurgia para a retirada dos focos de endometriose. A retirada é indicada tanto para quem deseja, quanto para quem não quer ser mãe, mas é mais utilizada pelo primeiro grupo. Afinal, ela é menos invasiva.

É por meio da videolaparoscopia que a retirada dos focos de endometriose é feita. Como no uso para o diagnóstico, o procedimento é realizado com pequenas incisões no abdômen feminino, pelos quais são inseridos uma câmera e instrumentos cirúrgicos. Além da retirada dos focos, a laparoscopia pode ser utilizada para a cauterização do tecido endometrial problemático.

Já o tratamento cirúrgico para a mulher que não deseja ser mãe pode ser mais assertivo. Nele, todo o tecido afetado é removido. Os órgãos que possuem aderência também podem ser retirados – aqui, estamos nos referindo aos ovários e ao útero. Sem útero, a mulher não terá o órgão em que a alteração se desenvolve. Ao mesmo tempo, ela não poderá engravidar naturalmente, e por isso a preocupação com seu desejo de ser mãe. O tratamento pelo procedimento cirúrgico pode ser associado ao uso de remédios.

Qualquer um dos tipos de operação é realizado com a mulher sob anestesia geral, e em um hospital. A paciente geralmente fica internada por ao menos 24 horas, e sua recuperação demanda repouso por alguns dias.

Existem casos, contudo, em que o médico não indica nenhum tipo de intervenção, nem mesmo medicamentosa. Nessas situações, é feito o acompanhamento do avanço do quadro da doença, para que a melhor terapia seja prescrita no momento adequado.

Endometriose e infertilidade

São diversos os fatores da endometriose que pode levar à infertilidade feminina. A começar pela distorção anatômica do sistema reprodutor da mulher. É comum que o tecido endometrial problemático bloqueie a passagem do útero até as tubas uterinas. Isso impede que os espermatozoides cheguem até a trompa, que é o local onde o óvulo aguarda para ser fecundado. Ao mesmo tempo, o endométrio pode aderir aos ovários, e prejudicar a liberação do gameta feminino.

A mulher que tem endometriose também pode sofrer mudanças em seu fluido peritoneal, o que vai interferir na interação entre o gameta feminino e o masculino.

Em todo o caso, a desordem que mais influi na capacidade da mulher em conceber ocorre na instalação do embrião no útero. Sem um tecido saudável no qual se instalar, o embrião não desenvolve, e a mulher sofre aborto espontâneo.

Endometriose e gravidez

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Antes de engravidar, é importante que a mulher tenha sua endometriose controlada. Isso vai garantir a possibilidade de instalação do embrião no útero, e a saúde da mãe e do bebê. No caso da endometriose profunda, os focos da doença devem ser eliminados por completo, ou poderão provocar graves complicações.

Por isso, caso você já possua o diagnóstico de endometriose, procure seu médico assim que decidir pela concepção. Aliás, a visita ao especialista também é fundamental para a mulher que se considera saudável. Com uma avaliação detalhada, o médico poderá perceber e tratar qualquer desordem que prejudicaria a gravidez.

Uso da fertilização in vitro

Após o tratamento adequado, são avaliadas as condições dos órgãos reprodutores femininos. Se eles não estiverem comprometidos, é possível tentar a gravidez natural normalmente, sempre com o acompanhamento do profissional.

Contudo, caso haja comprometimento dos ovários ou útero, a mulher poderá engravidar apenas por meio de técnica de reprodução assistida. Assim como no caso de tentativas não exitosas de concepção pela relação sexual. A técnica de reprodução mais indicada nestas situações é a fertilização in vitro.

A fertilização in vitro é um processo no qual o embrião é criado em laboratório. Para isso, a mulher passa por processo de estimulação ovariana, para que libere mais de um óvulo no período. Em seguida, esses óvulos são captados, e cada um é fecundado em laboratório aos espermatozoides do homem. Os espermatozoides são colhidos por meio da masturbação. Juntos, os gametas geram um embrião, que será cultivado por aproximadamente cinco dias. Logo depois, ele é transferido para o útero feminino, no qual deverá se prender e desenvolver.

Caso não seja possível obter óvulo da futura mamãe, devido ao comprometimento dos ovários, a mulher pode utilizar de óvulo doado. Já caso o útero seja o prejudicado, incapaz de gerar um embrião, é possível contar com a chamada barriga solidária. Parentes de até quarto grau do pai ou da mãe da criança podem atuar como barriga solidária, gerando o bebê em seu ventre.

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Ainda é importante considerar a idade da mulher. Quando tem mais de 35 anos, a paciente terá maior dificuldade em engravidar naturalmente. Isso porque, a fertilidade feminina diminui ao longo dos anos, até que deixa de existir na menopausa –  o que geralmente ocorre aos 45 anos de idade. Assim, a reprodução assistida pode ser sugerida logo que o médico perceber as dificuldades em conceber, provocadas pela endometriose ou não.

Efeitos da gravidez na endometriose

Como explicado ao longo do texto, a endometriose não pode ser curada, mas apenas controlada. Ainda assim, a mulher com endometriose pode obter da gravidez efeitos bastante benéficos à sua qualidade de vida. Isso porque, os sintomas diminuem nos últimos meses de gestação, e no período de amamentação.

Os médicos ainda não sabem com clareza o que promove essa melhora. Acredita-se, no entanto, que o efeito é resultado do alto nível de progesterona no organismo feminino, já que o hormônio é muito produzido durante a gestação. A ausência da menstruação durante a gravidez é outro fator que contribui.

Gravidez com endometriose: riscos

Realizar o pré-natal adequadamente é fundamental para qualquer mãe, mas ainda mais para aquelas que sofrem com a endometriose. O acompanhamento médico pode ser decisivo para a saúde do bebê, garantindo seu correto desenvolvimento e nascimento.

As mulheres com endometriose têm gestações sujeitas a variados riscos. Elas estão mais suscetíveis, por exemplo, a abortos espontâneos, especialmente nos primeiros meses de concepção. É igualmente comum que elas sofram com a gravidez ectópica, ou seja, fora do útero. Nesta situação, o embrião se desenvolve especialmente nas tubas, e o embrião dificilmente se desenvolve.

Mais para o fim da gravidez, os riscos estão principalmente relacionados ao parto. A mãe com endometriose está mais sujeita a um parto prematuro, necessitando ou não de uma cesárea. Apesar de não ser prejudicial ao bebê, a cesariana proporciona menos vantagens do que o parto normal.

A mulher também pode sofrer ruptura das veias que irrigam o útero, assim como a complicações relacionadas com a placenta. Outro risco é de que ocorra a eclâmpsia, que provoca convulsões durante a gravidez.

Com o diagnóstico da endometriose, o médico pode sugerir o uso de medicamentos e outros métodos para cuidado. Assim, tenha atenção redobrada à sua saúde, para que seu bebê se desenvolva adequadamente, e para que nasça no momento correto.