Esperma grosso ou viscoso — O que pode ser? Característica afeta as chances de engravidar?

Se você está buscando engravidar, provavelmente anda cheio(a) de dúvidas. Em qual período do mês há mais chance de gestação? Alguma posição sexual afeta o resultado da fertilização? Muitos destes questionamentos já foram respondidos em nosso blog — que você pode acessar aqui. Há, porém, outra dúvida recorrente, tema deste texto: o esperma grosso afeta as chances de gravidez?
O esperma nada mais é do que o sêmen masculino, um fluido liberado na ejaculação. É nele que ficam concentrados os espermatozoides. Assim que liberado no corpo da mulher, por meio da relação sexual, esse fluido fornece nutrientes para os gametas masculinos a se locomoverem. Eles, então, podem buscar o óvulo e realizar a sua fecundação, dando origem à gravidez.
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Por mês, uma mulher normalmente libera um óvulo. Esse gameta fica disponível em sua tuba uterina, de modo que seja encontrado e fecundado por um espermatozoide. Um óvulo é liberado em um processo hormonal mensal feminino. Ele fica disponível por, no máximo, 72 horas, e depois é reabsorvido pelo organismo.
Logo, para que haja a gestação, o casal que deseja engravidar deve ter relações sexuais neste período de disposição do gameta. Ou seja, no período fértil da mulher.
Para que seja adequadamente liberado, e depois auxilie os espermatozoides em seu deslocamento, o esperma é composto por secreções das vesículas seminais (60%), das glândulas acessórias (9%), da próstata (30%). Os espermatozoides correspondem a menos de 1% do volume sêmen.
Geralmente, uma ejaculação libera entre 1,5 a 5 ml de esperma. Sua aparência comum é de um líquido esbranquiçado e com certa viscosidade. O fluído que se apresenta de forma diferente pode indicar problemas no aparelho reprodutor masculino.

Esperma grosso ou viscoso: o que pode ser?

Como a sua principal dúvida é sobre o esperma viscoso ou grosso, vamos começar explicando essa alteração. De modo geral, essa consistência do fluido pode indicar inflamação ou malformação da próstata ou vesícula seminais.
O que altera a viscosidade do esperma é o desbalanceamento da sua quantidade de proteínas, especialmente da  fosfatase ácida e do antígeno prostático específico. Se existem problemas na próstata ou vesícula, contudo, a quantidade dessas substâncias diminui, alterando o estado do sêmen.
Quando se apresenta mais espesso, os espermatozoides têm dificuldade em se deslocar progressivamente e atingir o ovócito. Como consequência, as chances de gravidez do casal diminuem.
Em todo o caso, é importante destacar que o esperma muda de consistência e aparência após a sua liberação. Na ejaculação, sua aparência comum, como citado, é mais esbranquiçada e viscosa. Já alguns minutos depois, ele irá coagular, uma tentativa biológica de permanecer no corpo da mulher e não sofrer a ação da gravidade. Cerca de 30 minutos depois, o sêmen se liquefaz, ou seja, se torna completamente líquido, quando saudável.
Desta forma, é importante observar se o esperma viscoso aparece ou não logo na ejaculação. Se sim, o médico precisa ser consultado o quanto antes. Se não, vale mais um tempo de observação, pois essa consistência pode apenas ser resultado do ciclo comum do fluído.
Quando deseja engravidar, também é interessante que o casal procure o médico previamente. Muitas vezes isso não acontece, e os tentantes acabam por conviver com meses de frustrações. A busca inicial por um especialista, porém, pode perceber qualquer problema de fertilidade e eliminá-los logo no início. Assim, as chances de gravidez serão potencializadas.
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Outras alterações perceptíveis no sêmen

Uma série de outras alterações podem ocorrer no sêmen e prejudicar a capacidade fértil do casal. A começar pelo amarelamento do fluído. Quando isso ocorre, pode ser que haja problemas na próstata, como a prostatite. A prostatite consiste na inflamação da próstata, causada por uma infecção. Além de alterar o esperma, o problema provoca sintomas como dificuldade para urinar, febre e dor na região pélvica.
Já um esperma escuro (acastanhado) ou vermelho vivo é motivo para atenção extrema, especialmente se a característica se prolongar. Nessas situações, há a presença de sangue no sêmen, algo chamado de hemospermia. A condição pode acontecer após traumas nos órgãos seuxais, como sinal de inflamações ou em um período pós-cirúrgico. Caso a coloração se mantenha, é fundamental que o indivíduo busque um médico e verifique as causas da alteração.
Ainda pode ocorrer a diminuição da força do jato da ejaculação. Normalmente, essa diminuição está relacionada com problemas na ejaculação.
Por fim, o volume seminal pode estar reduzido, e os motivos são variados. O problema pode acontecer, por exemplo, como consequência da obstrução dos ductos deferentes. Os ductos são as estruturas que conduzem o esperma em direção à uretra e ai para fora do corpo. Outro motivo possível é a ausência ou problemas de vesículas seminais no sistema reprodutor o homem. A ejaculação retrógrada, no entanto, é a causa mais comum da diminuição do volume ejaculado. Com ela, o sêmen flui em direção à bexiga durante a ejaculação, em vez de sair pela uretra, como é o normal.

Como todas essas alterações são diagnosticadas?

É fundamental que o homem busque auxílio médico logo que perceba alterações em seu sêmen. Isso porque, a avaliação detalhada e diagnóstico correto da condição podem evitar que o problema se agrave. Para perceber as alterações, o médico solicitará a realização de um espermograma.
Para realizar um espermograma, o homem precisa colher uma amostra do seu sêmen, por meio da masturbação. O procedimento deve ser realizado de acordo com as orientações médicas da OMS (Organização Mundial da Saúde, manual de 2010), para que a amostra não sofra qualquer tipo de contaminação e nem perda que possa alterar o exame.
Resultado de imagem para spermogram
Na hora de analisar o sêmen, o especialista fará duas observações: a macroscópica e a microscópica. Na primeira, ele verifica informações como o volume em mL do ejaculado, sua cor e aspecto, tempo de liquefação, viscosidade e pH (acidez do líquido).
Já na análise microscópica, são verificadas informações sobre os espermatozoides (sua concentração por mL, motilidade, vitalidade e morfologia); e sobre outras células (concentração de leucócitos e de células redondas).
Com base em todos estes dados, o especialista poderá diagnosticar o problema de fertilidade do homem e sugerir o tratamento mais adequado. Por vezes, esse tratamento consiste na eliminação total do problema e a recuperação completa da fertilidade masculina.
Veja também: Infertilidade Masculina: Causas, Remédios e Tratamentos

E após o diagnóstico?

É importante salientar que a alteração na viscosidade do sêmen, por si só, não é um indicativo de infertilidade.
No entanto, após a avaliação e o diagnóstico de infertilidade, o médico pode sugerir o uso de técnicas de reprodução assistida, que podem facilitar o processo de concepção. O uso da inseminação artificial, por exemplo, é indicado para situações em que os espermatozoides não conseguem chegar sozinhos ao óvulo. Isso, inclusive, devido a um esperma viscoso, que pode comprometer a motilidade. A inseminação consiste na coleta dos espermatozoides e sua inserção no fundo do útero feminino. A técnica abrevia o caminho dos gametas até o óvulo, favorecendo a sua fecundação.
Para saber mais sobre as técnicas de reprodução assistida, clique aqui.

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