FIV e Gêmeos: Qual a relação entre o tratamento e a gravidez gemelar?

A evolução da medicina permitiu realizar o sonho de muitos casais de ter um bebê por meio dos métodos de reprodução assistida. No entanto, a gravidez gemelar ou múltipla, considerada rara em gestações espontâneas, passou a ser uma constante após um tratamento por Fertilização In Vitro (FIV). Portanto, FIV e gêmeos possuem relação direta no resultado do tratamento. 

Para alguns casais, a gravidez gemelar pode até assustar à princípio, mas a maioria que procura o tratamento de reprodução assistida, já passou por tantas tentativas sem sucesso ou não teriam como engravidar se não fosse pela FIV, que o desejo de ser pais/mães supera toda e qualquer insegurança.

Embora a incidência de gêmeos ou múltiplos (trigêmeos ou mais) tenha reduzido bastante nas últimas décadas, através da implantação de apenas um único embrião por tentativa, a FIV ainda apresenta maior incidência se comparada à concepção natural.

Sabemos que toda gravidez gemelar é encarada como gestação de risco, por conta de possíveis complicações à mãe e bebê, mas sendo a paciente saudável e tendo um acompanhamento adequado não há maiores preocupações.

Ainda com dúvidas? Entenda melhor abaixo a relação entre a FIV e gêmeos, saiba porque acontece e como evitar, caso seja o seu desejo. 

Confira!

O que é uma gestação gemelar ou múltipla?

mulher esperando gêmeos dentro da barriga
FIV e Gêmeos é comum de acontecer.

Uma gestação gemelar ou múltipla significa que a gravidez é de mais de um bebê, podendo ser gêmeos, trigêmeos, quádruplos ou mais. Em uma concepção natural, as chances de ocorrer uma gestação múltipla fica entre 1% a 5%. 

Por isso, é o tipo de gestação considerada rara para os padrões naturais, além de depender de vários fatores ainda em estudo, como genética, hereditariedade, etnicidade e idade da gestante. 

No entanto, a gestação gemelar ou múltipla é bastante comum ocorrer após o tratamento de reprodução assistida, como a Fertilização in Vitro (FIV).

Isso porque há uma tendência no raciocínio de que quanto mais embriões forem transferidos para o útero da paciente, maiores serão as chances de resultar em gravidez. 

Ou seja, ao implantar o máximo de embriões, acredita-se que pelo menos um deles terá sucesso na implantação e desenvolvimento. Por isso, a FIV acaba tendo uma incidência muito maior no número de gestações múltiplas.

Então, qual a probabilidade de gestação gemelar na FIV?

marido sentado atrás d amulher abraçando a barrida com cartões indicando dois bebês na barriga
FIV e Gêmeos tem relação direta na quantidade de embriões trasnferidos para o útero da mulher.

Existem vários fatores podem interferir nas chances de sucesso da FIV, pois a gestação só acontece se a implantação do embrião for adequada. 

No entanto, para que o tratamento resulte em uma gravidez a qualidade dos óvulos, espermatozoides e embriões devem ser as melhores. Além disso, as condições do endométrio devem estar adequadas para receber o embrião no momento certo, bem com a interação entre eles.

Se todas as etapas do tratamento forem cumpridas e realizadas de acordo com o esperado e planejado dentro dos mais altos padrões de qualidade, o número de embriões transferidos, sendo maior ou menor, não irá alterar significativamente a chance de uma gravidez.

No entanto, há algumas décadas atrás, havia uma enorme tendência de se transferir vários embriões para o útero com o intuito de aumentar as chances de sucesso da gravidez. 

Por outro lado, a taxa de gestações gemelares e suas possíveis complicações eram muito elevadas em casais submetidos à FIV. Por isso, existe agora uma recomendação mundial para diminuir o número de embriões transferidos, a fim de reduzir os riscos da gestação múltipla para as futuras mamães e seus bebês.

Em geral, a probabilidade de gravidez gemelar, dependendo do número de embriões transferidos é a seguir:

  • 1 embrião — 2 a 5% (gêmeos idênticos);
  • 2 embriões — 20 a 30%;
  • 3 embriões — 21 a 33%;
  • 4 embriões — 21 a 39%.

Recomendação para reduzir a gestação gemelar na FIV

A Red LARA (Rede Latino Americana de Reprodução Assistida) recomenda que a taxa de gestação gemelar nas clínicas de reprodução assistida não deve ultrapassar 20%, sendo que as gestações trigemelares ou mais não devem ser maior do que 1%.

No entanto, o Brasil e restante da América Latina possui uma taxa de gestação múltipla de 42% pela FIV. 

Sendo assim, com o intuito de seguir as tendências de redução de risco de gestação gemelar na FIV do resto do mundo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil recomenda a transferência de número predefinido de embriões de acordo com a idade da mulher. 

Segundo a legislação da Anvisa, esse número pode  variar nos seguintes casos:

  • Até 35 anos, a chance de gravidez é alta, sendo transferidos no máximo dois embriões;
  • De 36 aos 40 anos, transferiu-se até três embriões;
  • Mulheres acima de 40 anos podem receber quatro embriões.

Na prática, a decisão sobre a quantidade de embriões a serem transferidos deve ser tomada pelo casal em tratamento junto à equipe médica, seguindo a recomendação permitida pelo CFM de até 2 embriões.

Além disso, leva-se também em consideração fatores como quantidade de embriões normais formados, tentativas prévias, a existência da vontade de gestação gemelar, possíveis complicações baseados no histórico médico do casal, idade da mulher, entre outros fatores.

Em casos de receptoras de ovodoação (doação de óvulos), considera-se também a idade da doadora (idealmente abaixo de 35 anos). 

Sendo assim, o número de embriões vai depender da legislação e da perspectiva de sucesso em cada caso, porém sempre mantendo o menor número possível de embriões a serem transferidos.

Outro fator de risco para aumentar as chances de gestação gemelar

fiv e gemeos: Mulher grávida sentada na cadeira tocando a barriga com sapatinhos de bebê em cada dedo.
A quantidade de embriões trasnferidos pode aumentar as chances de FIV e gêmeos.

Além da quantidade de embriões a serem transferidos, há uma possibilidade de aumentar as chances de uma gravidez gemelar através de um procedimento na FIV chamado “hatching assisted”.

Ao se desenvolverem, os embriões passam por um estágio denominado “hatching” (eclosão), semelhante a quebra do ovo das aves. Isso costuma ocorrer na fase de blastocisto (quinto dia). 

Para que ocorra a eclosão, os embriões se expandem, rompendo a membrana externa (zona pelúcida) que os envolvem para depois serem implantados na cavidade uterina. 

Caso não ocorra essa eclosão, é necessário realizar o “hatching assisted” antes da transferência, procedimento feito através de uma ponteira a laser. Nesse caso, essa interferência pode aumentar o risco de gestação monozigótica ou de placenta única, isto é, gestação univitelina (gêmeos idênticos).

Mas, quais os problemas relacionados à gravidez múltipla?

fiv e gemeos pode trazer riscos.
A gravidez gemelar pode trazer alguns riscos.

Uma gestação gemelar sempre foi considerada de risco comparada a uma gestação única. No entanto, fazendo um pré-natal adequado, tomando todos os cuidados e seguindo as recomendações médicas é possível minimizar riscos.

De uma forma geral, as gestantes de múltiplos apresentam uma maior chance de desenvolver pressão alta (pré-eclâmpsia) e diabetes gestacional, bem como de  ter parto prematuro. 

O risco para essas condições chega a ser o dobro comparado às gestações únicas, sendo que aumentam conforme o número de bebês no ventre.

Para os bebês, como eles precisam dividir o útero e o alimento através da placenta, eles tendem a ter um crescimento reduzido, baixo peso ao nascimento e nascimento prematuro, o que aumenta as chances de necessidade de possíveis intervenções médicas, como permanência maior na UTI, etc.

Por conta da fragilidade, os bebês gemelares possuem uma mortalidade perinatal quatro vezes maior do que bebês únicos, sendo que a mortalidade também sobe para seis vezes à medida que aumentam o número de bebês, trigêmeos, quadrigêmeos, etc.

No entanto, a gestação múltipla pode se desenvolver de forma tranquila e até chegar a termo, em muitos casos, desde que se tenha o acompanhamento devido.

Em resumo, as possíveis complicações mais frequentes são a seguir:

  • Para as mamães: maior risco de abortamento; parto prematuro (média de idade gestacional de 28 a 33 semanas); aumento da pressão arterial; diabetes gestacional; hemorragia pós-parto; descolamento prematuro da placenta; ruptura de membranas; anemia e parto cesárea.
  • Para os bebês: prematuridade (37,1%); necessidade de permanência em UTI neonatal (23,6 a 29,3%); baixo peso ao nascer (53,2% a 63,1%); complicações respiratórias; paralisia cerebral e morte fetal (3,5 a 5,2%).

Em conclusão

Com a evolução das técnicas reprodutivas e experiência dos profissionais envolvidos, a expectativa é de que cada vez mais apenas um embrião possa a ser inserido em cada etapa na maioria das mulheres, com a mesma taxa de sucesso atual. 

O intuito é garantir que a gravidez evolua sem maiores riscos ou problemas para a gestante e bebê.

Espero que as informações tenham esclarecido a relação entre  FIV e gêmeos que agora você possa se sentir mais confiante em planejar o seu tratamento.

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