FIV Riscos: Quais as Complicações Possíveis no Tratamento?

Se você ainda não sabe, mas está procurando mais informações sobre o tratamento de fertilização in vitro (FIV), é importante entender como o procedimento é realizado, bem como alguns riscos e possíveis complicações inerentes a FIV, antes de tomar a sua decisão.

A FIV é  uma técnica de reprodução assistida, na qual o desenvolvimento do embrião é feito através da fertilização do óvulo pelo espermatozóide em ambiente laboratorial, ou seja, fora do corpo da paciente.

Os óvulos são fertilizados em laboratório para depois serem transferidos para o útero da paciente, no momento mais oportuno para a sua implantação e desenvolvimento.

O tratamento envolve várias etapas até que os embriões estejam prontos para serem transferidos, que incluem exames para avaliação da fertilidade, administração de medicamentos hormonais para a estimulação ovariana, punção dos folículos ovarianos para obtenção dos óvulos, fertilização dos óvulos (com espermatozóides ) e formação dos embriões e por fim a transferência destes para o útero da paciente.

Embora as complicações graves sejam bem raras, podem ser causadas por medicamentos ou pelo procedimento em si, e é possível ocorrer alguns efeitos colaterais leves e passageiros.

Saiba tudo a respeito do assunto em mais detalhes abaixo!

FIV: Riscos em relação aos medicamentos utilizados

pessoa aplicando injeção hormonal
Há alguns FIV riscos quanto aos medicamentos hormonais utilizados na questão de efeitos colaterais.

 A administração de medicamentos hormonais injetáveis (gonadotrofinas) para estimular o desenvolvimento dos folículos  podem  gerar alguns efeitos colaterais sendo o mais preocupante a Síndrome de Hiperestimulação Ovariano ( SHEO)

 As Gonadotrofinas são utilizadas em cada ciclo de FIV, a fim de estimular os folículos que armazenam os óvulos a se desenvolverem, gerando seu amadurecimento para que sejam aspirados permitindo a fertilização posterior em laboratório.

O processo não costuma causar riscos graves, mas alguns efeitos colaterais desagradáveis, embora leves e passageiros.

Dentre os possíveis efeitos colaterais, podemos citar:

  •     Alterações de humor e fadiga;
  •     Náuseas e vômitos ocasionais;
  •     Possíveis hematomas e dor no local da injeção, que podem ser evitados aplicando a injeção em diferentes locais;
  •     Reacções alérgicas temporárias (vermelhidão e/ou coceira no local da injeção);
  •     Sensibilidade nas mamas e aumento da secreção vaginal.

Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHEO)

A Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHEO), é uma condição que costuma ocorrer quando os indutores de ovulação durante o estímulo ovariano provocam uma resposta exacerbada dos ovários resultando em um número grande de óvulos (oócitos), crescimento exagerado dos ovários, ascite (líquido na cavidade abdominal que se forma pela saída do líquido intravascular pelos vasos ovarianos que se encontram pérvios), náusea, inchaço e desconforto ovariano, desaparecendo em alguns dias após a coleta do óvulo

Nas formas graves podemos observar instabilidade hemodinâmica,  dificuldade respiratória, diminuição da urina produzida  e aumento do risco de trombose. Estas costumam ocorrer quando há  gravidez.

Em geral, os casos leves costumavam ocorrer com frequência de até 20%, sendo que os moderados em 3 a 6% dos casos, e a sua forma mais severa, ocorrem entre 0,5% e 2% dos ciclos de estimulação ovariana.

Hoje em dia, o risco de se desenvolver a forma grave diminuiu bastante pois temos a opção de congelar todos os embriões, além de podermos fazer o triggering ( gatilho para terminar  a maturação dos oócitos ) de forma segura.

Há ainda casos raros (menos do que 1% das mulheres) em que a SHO causa trombose venosa profunda e insuficiência renal.

FIV Riscos relacionados ao procedimento

fiv riscos procedimento
Pode haver FIV riscos quanto ao procedimento utilizado.

No caso do procedimento em si, os riscos inerentes a FIV são muito baixos e geralmente estão relacionados ao processo de retirada dos óvulos e transferência dos embriões.

Para tanto, o médico introduz uma agulha longa e fina pela vagina da paciente, com o auxílio da monitoração por ultrassom, que permite visualizar quando a agulha alcança o ovário e cada folículo para a aspiração   dos óvulos.

Em geral, o procedimento costuma causar dores pélvicas e abdominais leves a moderada, durante ou depois do procedimento, que desaparecem dentro de um ou dois dias, podendo ser aliviadas com analgésicos.

Há casos em que pode ocorrer lesão em órgãos adjacentes da região pélvica, como bexiga, intestino ou vasos sanguíneos, que podem bem raramente necessitar de cirurgia de emergência e, ocasionalmente, transfusões de sangue.

Além disso, é possível ocorrer infecção pélvica (leve a grave) após aaspiração  de ovos ou transferência de embriões , embora sejam bastante incomuns devido à administração de antibiótico profilático  no momento da coleta dos ovos.

No entanto, algumas mulheres que tiveram infecções pélvicas prévias ou endometriose envolvendo os ovários estão mais suscetíveis a contrair infecções relacionadas à FIV.

Em relação à transferência de embriões, o médico insere um cateter contendo os embriões que são colocados suavemente dentro do útero.

O processo pode causar cólicas leves durante a introdução do cateter pelo colo uterino ou podem ocorrer corrimentos vaginais (leves sangramentos) após a inserção. São raras as infecções, que normalmente são tratadas com antibióticos.

FIV riscos relacionados à gravidez

mulher g'ravida segurando a barriga
Existem alguns FIV riscos quanto à gravidez, após o procedimento.

Há quem compare os riscos de uma gravidez gerada pela FIV com uma gravidez normal. Neste caso, os riscos envolvidos estão mais relacionados à gravidez gemelar ou múltipla, por conta da quantidade de embriões transferidos.

Por outros lado, os riscos de desenvolver uma gravidez tubária ou aborto espontâneo são semelhantes a uma concepção normal.

Não se sabe ao certo se essas técnicas podem levar a um aumento de malformações ou se o casal que apresenta infertilidade teria alguma predisposição.  Por outro lado, a FIV pode realizar um exames para detectar distúrbios genéticos em pacientes com suspeita ou histórico familiar de doenças hereditárias.

Caso uma mutação genética seja diagnosticada durante a FIV, é possível interromper essa cadeia de transmissão hereditária, fazendo com que o embrião implantado esteja livre da doença.

Gravidez gemelar ou múltipla

A gravidez múltipla é mais comum em pacientes submetidas à FIV, principalmente quando mais de um embrião é transferido.

Neste caso, a Fiv não oferece riscos, mas a gravidez múltipla costuma ser tratada como uma gestação de risco quando comparada à uma gestação única, justamente por haver mais de um bebê.

Portanto, quanto mais embriões transferidos para o útero, maior o risco de uma gravidez múltipla.

Por outro lado, a Associação Americana de Reprodução Assistida, recomenda um número mínimo para transferência de embriões, que possam proporcionar uma alta probabilidade de gravidez, porém com menor risco de gravidez múltipla.

Normalmente, os riscos mais significativos incluem:

  •     Parto e bebês prematuros, que geram maiores risco de complicações para o bebê, como problemas no desenvolvimento pulmonar, infecções intestinais, paralisia cerebral, dificuldades de aprendizagem, atraso na linguagem e problemas de comportamento;
  •     Hemorragia gestacional pós parto;
  •     Maior probabilidade de cesariana;
  •     Pressão arterial elevada;
  •     Diabetes gestacional.

Defeitos congênitos (do nascimento) e doenças genéticas

O risco de defeitos congênitos na população em geral é de 2% a 3%, sendo ligeiramente maior entre pacientes inférteis, dependendo da forma de concepção e da causa da infertilidade.

Ainda não se sabe ao certo se a fertilização in vitro é ou não responsável por defeitos congênitos. No entanto, quando o procedimento inclui a injeção intra-citoplasmática de espermatozóides (ICSI), há um risco um pouco maior de defeitos congênitos.

Em geral, homens com problemas no esperma estão mais propensos às anormalidades transmitidas hereditariamente, embora sejam extremamente raras.

É possível realizar pesquisas para a detecção de doenças hereditárias. Como por exemplo, o PGD ou Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (Preimplantation Genetic Diagnosis), um teste genético realizado nos embriões para determinar se ele é portador de alguma mutação cromossômica /genética. Ele permite a seleção dos melhores embriões saudáveis para a implantação uterina. Possivelmente em um futuro próximo esses teste não precisarão mais utilizar células biopsiadas do blastocisto, o que melhorará a qualidade e capacidade de implantação desses embriões.

Aborto espontâneo e gravidez tubária

Em geral, a taxa de aborto espontâneo após uma fertilização in vitro é semelhante às taxas de uma concepção natural, sendo maiores em mulheres de idade mais avançada (mais de 50% de 40 anos ou mais).

Já o risco de uma gravidez ectópica (tubária) pela FIV é pequeno (1%), semelhante à taxa de mulheres com uma histórico de infertilidade. caso ocorra a gravidez ectópica, ela é interrompida com medicamentos ou processo cirúrgico.

Normalmente, os sintomas de gravidez tubária incluem dor aguda, sangramento, tonturas ou desmaio; dor na região lombar; pressão arterial baixa (devido à perda de sangue), bem como gravidez uterina confirmada por ultrassom, ou quando a medida do Bhcg ( hormônio da gravidez) não dobra a cada 48 horas.

Há também o risco de gravidez heterotópica após a FIV,  um tipo de gravidez que ocorre quando um embrião cresce no útero e outro na tubas, provocando uma gravidez ectópica simultânea.

No entanto, a gravidez no útero pode ser preservada, enquanto a gravidez ectópica é removida por procedimento cirúrgico.

Outras dúvidas ou maiores esclarecimentos poderão ser feitos por seu médico.

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