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Gravidez nas Trompas ou Ectópica

Gravidez nas Trompas ou Ectópica

Postado em: 14 de janeiro de 2020

Chamamos de gravidez nas trompas ou tubária, também conhecida por gravidez ectópica, a gestação de um óvulo fecundado fora do útero, dentro das trompas de Falópio, canais que ligam o útero ao ovário.  Infelizmente, é uma gravidez inviável, visto que o embrião não consegue se desenvolver fora do útero, além do fato de que as […]

Chamamos de gravidez nas trompas ou tubária, também conhecida por gravidez ectópica, a gestação de um óvulo fecundado fora do útero, dentro das trompas de Falópio, canais que ligam o útero ao ovário. 

Infelizmente, é uma gravidez inviável, visto que o embrião não consegue se desenvolver fora do útero, além do fato de que as trompas não capazes de se distender, podendo se romper, causar sangramento e colocar em risco a vida da mulher e levá-la à morte.

A gravidez ectópica pode ter diversas causas e vários fatores podem contribuir para a condição, mas as principais seriam inflamações ou anormalidades nas trompas, endometriose, aderências pélvicas, infecções (principalmente por clamídia) ou já ter feito uma laqueadura. 

Normalmente, ela é diagnosticada nas primeiras 10 semanas de gestação através da ultrassonografia transvaginal e exames laboratoriais (dosagens do hormônio BHCG), mas também pode ser descoberta mais tarde, levando à riscos mais sérios, como o rompimento da trompa (gravidez ectópica rota), que costuma provocar uma hemorragia interna que pode ser fatal. 

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2016, foram registradas mais de nove mil internações por gravidez ectópica neste ano, sendo que quase 1% da população feminina é acometida pela condição. 

Embora a gravidez nas trompas deva ser diagnosticada o quanto antes, os primeiros sinais podem passar despercebidos e serem confundidos com sintomas de gravidez normal entre a sexta e a oitava semanas, como dores abdominais, irregularidade menstrual (com ou sem sangramentos), além de mal-estar e náuseas.

Quer saber mais sobre o que é e o que acontece com a gravidez nas trompas? Continue lendo o artigo abaixo!

O que é gravidez nas trompas

diagrama mostrando gravidez normal e gravidez nas trompas.

A gravidez nas trompas ou ectópica é quando o óvulo fecundado se instala fora da cavidade uterina.

A gravidez nas trompas ou gravidez ectópica, é quando o óvulo fecundado se instala fora da cavidade uterina ao invés de se dirigir ao útero. Durante uma gravidez normal, o embrião formado sai das trompas de Falópio e se dirige ao útero, se alojando no endométrio, revestimento das paredes uterinas, onde o feto pode se desenvolver normalmente. 

Mas no caso de uma gravidez tubária, a implantação do embrião ocorre fora do útero, podendo ser na região abdominal, nos ovário, cérvix ou nas trompas de Falópio, impedindo o desenvolvimento do feto, por não ter condições de acolher o embrião, podendo até causar sérios problemas para a gestante.

Embora a gravidez nas trompas seja uma condição ainda considerada rara, é fundamental que se façam os exames de pré natal o quanto antes para que ela seja diagnosticada nas primeiras semanas de gravidez, antes que comecem a surgir os problemas.

Quando não diagnosticada, o feto em crescimento pode destruir várias estruturas, como o rompimento das trompas, causar hemorragias graves, podendo ser fatal. Além disso, o seu tratamento quando feito de forma precoce pode ajudar a preservar a fertilidade e garantir uma futura gravidez.

Tipos de gravidez ectópica

Embora a gravidez ectópica possa se desenvolver em várias regiões abdominais, é mais comum que ela se desenvolva em uma das trompas, por isso é conhecida por gravidez nas trompas ou tubária.

No entanto, quando ocorre em outros locais, ela pode ter outros nomes, como gravidez ectópica no ovário, gravidez ectópica abdominal ou uma gravidez ectópica cervical, além de outros tipos de gravidez ectópicas menos comuns, como as seguintes:

  • Gravidez ectópica intersticial: quando o embrião se desenvolve no segmento intersticial da tuba;
  • Gravidez cervical: quando o embrião se desenvolve no colo do útero, podendo provocar hemorragia intensa;
  • Gravidez ectópica na cicatriz da cesárea: embora muito rara, pode acontecer do embrião se alojar na cicatriz interna;
  • Gravidez ovariana: quando o embrião se aloja em um dos nos ovários;
  • Gravidez ectópica abdominal: quando o bebê se desenvolve no peritônio, entre os órgãos, que vão sendo comprimidos, podendo romper vasos sanguíneos e ser potencialmente fatal. 

Fatores de risco para uma gravidez nas trompas

mulher com dores por possível gravidez nas trompas

Há vários fatores de risco para uma gravidez nas trompas.

Embora seja considerada uma condição rara, com 2% apenas de ocorrências, existe o risco de se desenvolver uma gravidez nas trompas para todas as mulheres. Isso porque existem alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da condição.

Os principais seriam ter realizado cirurgia abdominal, pélvica ou nas trompas de Falópio, ter cicatriz de uma cirurgia pélvica anterior ou apresentar inflamação ou uma deformidade na estrutura das tubas uterinas, como a salpingite.

Além disso, apresentar doenças inflamatórias pélvicas e endometriose, além de ser fumante, ter realizado a laqueadura das trompas ou já ter tido uma gravidez ectópica anteriormente. 

Outro fator importante seria o uso inadequado do dispositivo intrauterino (DIU) como método contraceptivo, além de ter contraído doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a clamídia, que causa a doença inflamatória pélvica e infertilidade. 

Neste caso, o risco de problemas mais graves é maior, pois a inflamação causada pela clamídia no início não é óbvia. Enquanto isso, as bactérias migram em direção às trompas de falópio causando a infecção, e a mulher só constata a infertilidade na hora de tentar engravidar. 

Há outros casos em que a inflamação persistente e a cicatrização das trompas de falópio causam uma dor pélvica crônica, aumentando as chances de uma gravidez ectópica. Há também fatores de risco como idade superior a 35 anos, fertilização in vitro ou outros procedimentos para engravidar, abortos sucessivos e ter vários parceiros sexuais.

Além desses fatores, podemos citar também algumas outras causas possíveis abaixo:

Possíveis causas para uma gravidez ectópica

  • Fatores hormonais
  • Anormalidades genéticas
  • Defeitos congênitos
  • Condições médicas que afetam a forma e condição das trompas de falópio e órgãos reprodutivos, como Trompas de Falópio com um formato incomum.
  • Problemas de fertilidade
  • Infecção, inflamação ou irritação, que alterem a mucosa das trompas, podendo fechar o órgão por inteiro ou parcialmente, impedindo que o óvulo fertilizado siga para o útero.
  • Impedimento por tecido cicatricial, que dificulta a passagem do óvulo pela trompa de falópio.

Como detectar a gravidez nas trompas

médico segurando modelo de aparelho reprodutor para explicar a gravidez nas trompas.

é possível fazer vários exames para detectar a gravidez nas trompas.

Via de regra, na dúvida de uma possível gravidez, um teste de farmácia pode detectar a gravidez com eficácia. Mas o ideal é que essa gravidez seja confirmada por um exame de sangue para constatar o Beta HCG entre 1000 e 2000 mUI/ml.

Mas como nem o teste de farmácia nem o de sangue podem detectar a gravidez nas trompas, é preciso marcar logo um exame de ultrassonografia transvaginal para verificar exatamente onde o saco gestacional está localizado. 

Isso porque, inicialmente, os sinais e sintomas uma gravidez ectópica muitas vezes são confundidos como de uma gravidez normal no primeiro trimestre, como atraso na menstruação, seios sensíveis e inchados, fadiga, náusea e aumento da micção.

No entanto, existem alguns sinais e sintomas que podem indicar a gravidez fora do útero como uma dor abdominal ou pélvica intensa em apenas um dos lados da barriga, sempre de forma localizada, que vai piorando a cada dia, geralmente seis a oito semanas após a ausência de menstruação.

Pode ocorrer também sangramento vaginal, inicialmente leve com apenas algumas gotas de sangue, aumentando em pouco tempo. Porém, conforme a gravidez nas trompas vai progredindo, outros sintomas podem aparecer.

Principais sintomas de gravidez ectópica:

  • Dores agudas de barriga ou pélvica, variando de intensidade, que pioram com o movimento ou esforço, começando bruscamente de um lado e depois se espalhando por toda a região pélvica;
  • Hemorragia vaginal moderada ou intensa;
  • Dor durante as relações sexuais ou durante um exame pélvico;
  • Fraquezas, tonturas, vertigens ou desmaio, causada por hemorragia interna;
  • Sinais de choque hipovolêmico;
  • Desconforto ao urinar ou defecar;
  • Dor no ombro causada por hemorragia no abdômen sob o diafragma;
  • Gravidez em que a barriga não cresce.

Note: É importante lembrar que, como a gravidez ectópica se transforma em gravidez ectópica rota antes das 12ª semana de gestação, não há como notar um crescimento na barriga. No entanto, há casos de gravidez fora do útero, como na gravidez abdominal, em que uma saliência seja possível.

Embora estes sinais e sintomas possam estar presentes, ainda sim algumas mulheres podem não sentir nada. No entanto, em caso de desenvolver algum deles, eles costumam ser notados a partir da 4a e a 12a semanas de gravidez, ou até mesmo antes da mulher desconfiar que está grávida ou ter feito um teste de gravidez.

Como é feito o diagnóstico da gravidez nas trompas

ultrassom mostrando imagem de gravidez normal

A gravidez nas trompas pode ser diagnosticada por exames de imagem.

Apenas o médico especialista, como o ginecologista e obstetra podem fazer o diagnóstico de uma gravidez ectópica. Normalmente, ele é feito por meio dos seguintes exames:

  1. Um exame pélvico para avaliar a dor e a sensibilidade na região, a fim de detectar uma obstrução nas trompas de Falópio, apresentada por um alargamento do útero menor do que o esperado para uma gravidez normal ou uma massa na região pélvica;
  2. Uma ultrassonografia pélvica transvaginal ou abdominal, para verificar onde a gravidez está se desenvolvendo;
  3. Dois ou mais exames de urina ou de sangue para medir o nível do hormônio da gravidez (gonadotrofina coriônica humana ou beta-hCG), realizados com 48 horas de intervalo. Durante as primeiras semanas de uma gravidez normal, os níveis de beta-hCG dobram a cada 2 dias, caso o nível desse hormônio esteja mais baixo que o esperado ou lentamente crescentes, pode ser uma indicação de gravidez nas trompas.

Complicações da gravidez nas trompas e riscos para a gestante

Como o embrião está alojado fora do útero, sem condições necessárias para o seu desenvolvimento e nutrição, a gravidez ectópica não é levada adiante. Além disso, se ela não for descoberta previamente, essa gravidez fora do útero pode levar ao rompimento das trompas, que é um canal muito estreito.

Assim, ao ser forçado pelo desenvolvimento do feto, provoca uma hemorragia muito grave, causando a inflamação de tecidos do abdômen e a perda de grandes quantidades de sangue, além de aborto.

Nestes casos, exige a ida imediata para o hospital para que seja realizada uma cirurgia de emergência a fim de salvar a vida da mãe.

Portanto, no caso de uma gravidez tubária não há possibilidade de evolução do bebê até o nascimento, embora há casos de gravidez fora do útero, como na abdominal, em que o desenvolvimento do embrião é possível, embora muito raro.

Tratamento para gravidez nas trompas

mulher grávida após gravidez nas trompas.

Há váriso tratamentos para gravidez nas trompas e engravidar novamente.

Na maioria das vezes, quando uma gravidez ectópica ocorre, ela deve ser tratada imediatamente para evitar uma ruptura dos tecidos e hemorragias. Mas a decisão sobre qual o tratamento seguir vai depender muito de quando essa gravidez foi detectada e de seu estado geral, assim como tamanho do saco gestacional. 

No caso de uma gravidez nas trompas detectada logo no início, quando ainda nem provocou sangramentos, é possível escolher entre usar medicamentos, para tentar fazer com que o organismo reabsorva o embrião ou para induzir o aborto, a fim de preservar a trompa de falópio. No entanto, isso só é possível se o embrião estiver pequeno, com menos de 4 cm e sem batimento cardíaco.

Em outros casos, realiza-se a cirurgia minimamente invasiva para interromper a gravidez, um procedimento via laparoscopia com o objetivo de remover o embrião e reparar a área danificada. Neste caso, durante a operação o cirurgião também avalia a situação da trompa de falópio afetada para decidir se deve mantê-la. 

A remoção total ou parcial da trompa de falópio, por sua vez, normalmente é sugerida no caso de a trompa estar alargada ou tiver sido rompida, podendo ser um procedimento de emergência necessário.

Na verdade, quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores serão as chances de evitar o rompimento das trompas através de medicamentos potentes que impedirão a evolução do saco gestacional nelas.

Como é feito o tratamento com remédios

Quando o médico decide pelo uso de remédios, ele pode prescrever o Methotrexate, em forma de injeção, sob certas condições, como por exemplo:

  • Estabilidade hemodinâmica, poucos sintomas
  • Ectópica íntegra
  • Quando o saco gestacional tiver menos de 4 cm;
  • Se o exame Beta HCG for inferior a 5.000 mUI/ml;
  • Se o coração do embrião não estiver batendo.
  • Ausência de contra-indição ao uso de Methotrexate

Nesse caso, prescreve-se 1 dose do medicamento e após 7 dias realiza-se um novo Beta HCG, até que este não seja mais detectável. Às vezes, o médico pode indicar mais 1 dose para se certificar de que foi tudo solucionado. 

O Beta HCG é repetido em 24 horas e depois a cada 48 horas para verificar se está baixando gradualmente. O uso do medicamento evita a incisão e anestesia geral, mas também pode causar efeitos colaterais. 

É possível também realizar um ultrassom 1 vez por semana para verificar se a massa desapareceu, pois embora os valores do beta HCG diminuam ainda existe a possibilidade de ruptura da trompa.

Além disso, durante o tratamento, que costuma durar até 3 semanas, recomenda-se:

  • Não ter contato sexual;
  • Evitar a exposição solar, pois o remédio mancha a pele;
  • Não tomar anti-inflamatórios para evitar risco de anemia e problemas gastrointestinais relacionados ao remédio.

Como é feita a cirurgia

Como dissemos, a cirurgia para retirada do embrião é feita por laparoscopia ou cirurgia aberta, geralmente indicada sob sintomas graves de hemorragia, quando o embrião tem mais de 4 cm de diâmetro, o exame Beta HCG é superior a 5000 mUI/ml ou quando há evidências de ruptura da trompa, o que coloca em risco a vida da mulher. 

Seja qualquer o caso, o embrião não vai sobreviver e será completamente removido, não podendo ser implantado novamente dentro do útero.

A cirurgia é feita também quando os medicamentos parecem não funcionar, aumentando os riscos de ruptura conforme o passar do tempo. 

Após a cirurgia devido a gravidez ectópica, é possível que a mulher tenha que tomar o metotrexato depois. O médico irá monitorar de perto a recuperação da mulher para verificar novamente seu nível de hCG e garantir que o tecido ectópico tenha sido completamente removido.

Há possibilidade de gravidez futura?

mulher com mãos em coração no ventre mostrando gravidez após gravidez nas trompas.

É possível engravidar novamente após uma gravidez nas trompas.

No caso das trompas não terem sido danificadas pela gravidez ectópica, a mulher poderá ter novas chances de voltar a engravidar. Isso porque o estado das tubas não interfere na função hormonal, sendo assim, após o tratamento os ovários voltam a funcionar e a mulher menstrua normalmente.

Por outro lado, se uma das trompas se rompeu ou ficou lesionada, as chances de engravidar serão menores, embora a fertilidade não se altere qualitativamente. Porém, a chance de ter outra gravidez nas trompas de forma natural pode aumentar em alguns casos. 

No caso das duas trompas afetadas, a solução mais viável será a fertilização in vitro. Além disso, se a mulher estiver tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso, o ideal é procurar o médico para discutir a possibilidade de fazer um exame de histerossalpingografia, um raio-x da cavidade uterina e de suas tubas. 

Esse exame é realizado com a injeção de iodo por meio do orifício do colo do útero, sendo que um cateter fino é introduzido a fim de marcar o formato do útero e das trompas para verificar se a comunicação entre eles está perfeita.

No caso de histórico de gravidez ectópica anterior, o médico deverá realizar um acompanhamento mais minucioso para identificar se a gestação está ou não ocorrendo normalmente.

Como já foi dito, a gravidez nas trompas ou na região abdominal é uma condição relativamente rara, porém passível de tratamento. 

No entanto, ao notar qualquer sintoma diferente, consulte seu médico o mais rápido possível e faça o pré natal de forma adequada, sempre seguindo as orientações médicas à risca, a fim de garantir a sua saúde e a do seu bebê.