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Hidrossalpinge: o que é? É grave? Qual o tratamento?

Hidrossalpinge: o que é? É grave? Qual o tratamento?

Postado em: 2 de fevereiro de 2019

Apesar de pouco conhecida pelo público, a hidrossalpinge é uma condição que pode dificultar a concepção. Afinal, com ela a mulher enfrenta bloqueios de suas tubas uterinas. O nome “hidrossalpinge” vem da junção das palavras gregas “hydro” e “sálpinx”. Ou seja, água nas trompas. As tubas uterina são as estruturas que ligam os ovários e […]

Apesar de pouco conhecida pelo público, a hidrossalpinge é uma condição que pode dificultar a concepção. Afinal, com ela a mulher enfrenta bloqueios de suas tubas uterinas.

O nome “hidrossalpinge” vem da junção das palavras gregas “hydro” e “sálpinx”. Ou seja, água nas trompas. As tubas uterina são as estruturas que ligam os ovários e o útero, consistindo em pequenos canais que funcionam como caminho para o deslocamento do óvulo.

Quando a mulher apresenta hidrossalpinge, suas tubas são obstruídas por um líquido seroso ou claro. A condição é diferente quando as tubas estão preenchidas por sangue (hematossalpinge) ou por pus (piossalpinge).

Por que a hidrossalpinge é um problema?

A cada mês, o sistema reprodutor feminino passa pelo processo de ovulação. A ovulação consiste no amadurecimento de um folículo ovariano e da sua liberação em forma de óvulo. O óvulo é a célula reprodutora feminina. É por meio da sua união com um espermatozoide que um embrião é criado.

Após ser liberado pelo ovário, o óvulo fica posicionado na tuba uterina. Ali, aguarda a chegada dos espermatozoides. Caso consiga alcançar a célula feminina, o espermatozoide fecunda-a. Então, a união desses gametas, o embrião se desloca até o útero, onde ele se prende ao endométrio (parede uterina). Caso consiga fazê-lo, dá-se início à gravidez.

A presença da hidrossalpinge, porém, muda toda esse processo. Quando há a presença de líquido na tuba uterina, o óvulo não consegue se acomodar direito na estrutura. Também é comum que os espermatozoides não consigam chegar ao gameta. Caso consigam, ainda é pouco provável que o óvulo fecundado possa se deslocar até o útero. É por isso que mulheres com hidrossalpinge geralmente enfrentam problemas para engravidar.

Para os médicos, a condição não é grave. Inclusive porque, muitas pacientes nem mesmo apresentam sintomas. Ainda assim, ela deve ser avaliada com cuidado, e tratada assim que possível. Especialmente em mulheres em idade fértil e que ainda desejam engravidar.

As tubas podem ser afetadas juntas, ou então apenas de modo unilateral. Ao perceber o problema em uma das tubas, o médico avaliará meticulosamente o segundo órgão. Assim, qualquer tratamento poderá ser aplicado de modo mais eficaz.

Causas da hidrossalpinge

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As causas da hidrossalpinge são diversas e, na maioria das vezes, podem ser prevenidas. Uma das ocorrências mais comuns, por exemplo, é o acúmulo de líquido nas tubas devido a uma infecção sexualmente transmissível. como a Clamídia ou a Sífilis. Nessas situações, a mulher pode se proteger mantendo relações sexuais apenas com o uso do preservativo.

Casos de endometriose também podem levar ao acúmulo de líquido na região. A endometriose consiste na presença do endométrio fora do útero. Essa desordem provoca inflamações, que podem atingir as tubas.

Também é possível que cirurgias abdominais anteriores e aderências pélvicas levem à hidrossalpinge. Assim como outras fontes de infecção, como a apendicite.

Quais os sintomas da hidrossalpinge?

Como citado, a maioria das mulheres que sofre com a hidrossalpinge não apresenta sintomas. A não ser, é claro, os problemas de fertilidade. Por isso, o diagnóstico é bastante mais comum em exames ginecológicos de rotina, ou após dificuldades de concepção.

Normalmente, um casal demora até 12 meses para engravidar. Isso porque, só há chance de 20% por mês, uma vez que a mulher precisa estar em seu período fértil para que a concepção aconteça. Quando ultrapassa um ano, porém, as dificuldades de engravidar podem ser sinal de infertilidade.

São várias as causas de infertilidade, incluindo a hidrossalpinge. Para auxiliar o casal, o médico especialista em Medicina Reprodutiva realiza uma série de exames. Assim, pode definir as causas e o melhor tratamento para as tentativas frustradas de gestação.

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Homem e mulher devem procurar o especialista e avaliar sua fertilidade. Em 30% dos casos, as razões para a infertilidade do casal estão ligadas a fatores masculinos. Em 30%, os fatores são femininos, e em 30% estão presentes nos dois indivíduo. Nos 10% restantes da estatística, não é possível determinar a causa da infertilidade. Nessas situações, então, há a chamada infertilidade sem causa aparente (ISCA).

É comum, também, que a tuba com acúmulo de líquido seja distendida, alcançando vários centímetros de diâmetro. Quando isso acontece, os sintomas da mulher podem incluir dor pélvica ou na parte baixa do abdômen. Nesses casos, as dores podem se intensificar durante a menstruação.

Além destes, a mulher pode vivenciar a gravidez ectópica. A mulher ainda pode apresentar corrimento vaginal constante e incômodo.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora de realizar o diagnóstico da hidrossalpinge, o médico responsável costuma solicitar a realização de três exames. São eles: a histerossalpingografia e a ultrassonografia. Por meio dos testes, é possível verificar as obstruções nas trompas de forma completa e definitiva.

Para realizar a histerossalpingografia, o médico injeta no útero feminino um líquido opaco aos raios X. Essa injeção é realizada por meio do colo do útero, e o líquido se espalha até as tubas uterinas. Por meio do raio X, então, o especialista consegue verificar se o líquido conseguiu ultrapassar as trompas, ou se ficou bloqueado nos órgãos. O segundo caso indica obstruções na região.A ultrassonografia também permite verificar essas obstruções, mas sem a necessidade de injeção do líquido para exame.

Assim o tratamento da hidrossalpinge é realizado pelo procedimento laparoscópico.  Ao realizá-lo, porém, a paciente corre maior risco de, posteriormente, sofrer uma gravidez ectópica. Por esse motivo, é indicado que, após a cirurgia, a mulher use de técnica de reprodução assistida para obter uma gestação.

Ao perceber o inchaço das tubas uterinas, o médico também costuma receitar remédios preventivos à paciente. Por meio dos antibióticos, reduz-se o risco de um novo processo inflamatório nas tubas. Os medicamentos, de qualquer forma, só devem ser tomados após a prescrição do especialista.

Por que usar técnica de reprodução assistida?

Mesmo após o tratamento da hidrossalpinge, é comum que as tubas uterinas se mantenham frágeis, ou mesmo com algum resquício de infecção. Esses fatores podem dificultar a gravidez natural, já que, neste caso, o óvulo aguarda na tuba pela chegada dos espermatozoides. Ainda é recorrente a ocorrência de gravidezes ectópicas.

Quando a hidrossalpinge afeta apenas uma das tubas, e a segunda permanece permeável e desobstruída, as chances de gravidez natural são um pouco maiores. Isso antes ou depois do tratamento. Não significa que a concepção será simples, mas sim que ela terá chances interessantes de ocorrer.

Já quando as duas trompas são afetadas pelo problema, o líquido acumulado pode ser expelido ao longo dos ciclos férteis femininos. Como resultado, o embrião encontra grande dificuldade em se fixar no útero. Após o tratamento e as tubas frágeis, a dificuldade é semelhante.

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Por isso, geralmente o médico indica o uso da fertilização in vitro pelo casal que deseja engravidar de forma mais segura e simples. Como as trompas encontram-se obstruídas ou frágeis, a inseminação artificial não é indicada. Afinal, os espermatozoides teriam que se deslocar até o óvulo, e os problemas do caminho dificilmente seriam superados.

Passo a passo da fertilização in vitro

Para realizar a fertilização in vitro, a mulher passa por um processo de indução da ovulação. Ele é realizado por meio do uso de remédios hormonais, que estimulam os ovários a amadurecerem e a liberarem o óvulo.

Logo que o gameta feminino é liberado, ele é coletado. Os espermatozoides também são coletados, por meio da masturbação masculina. Também é possível pinçar os espermatozoides diretamente dos testículos do homem, caso seja necessário. Então, os gametas são levados ao laboratório e unidos.

Após esse processo de fertilização induzida, surge um embrião. O embrião é cultivado em laboratório por cerca de cinco dias. Depois, ele é transferido para o útero da mulher. Caso ele consiga se prender à sua parede interna (endométrio), dá-se início à gravidez.

Como as tubas não são fundamentais para o processo de fertilização in vitro,essa técnica tem grande eficácia para os casos de hidrossalpinge. O ICSI também é um método comum nestes casos — saiba mais sobre ele neste texto.

A hidrossalpinge pode evoluir para um câncer?

A hidrossalpinge não é uma condição grave, e não pode evoluir para um câncer nas tubas uterinas. Um câncer desse tipo não é comum. Para se ter uma ideia, ele corresponde a menos de 1% dos casos de câncer ginecológicos nos Estados Unidos. Ele geralmente é diagnosticado em mulheres entre 50 e 60 anos de idade.

Ainda que não possa evoluir para um câncer, a hidrossalpinge pode ser  considerada um fator de risco para o problema. Isso porque, pesquisas indicam que a condição é mais comum em mulheres que tiveram inflamações nas tubas.

Não significa que o crescimento desordenado de células vai fatalmente acontecer. Porém, ele é mais frequentemente percebido em quem já sofreu de condições prévias nas tubas.

O tratamento contra o câncer nas tubas uterinas geralmente é feito por meio da remoção dos órgãos afetados. Ou seja, das tubas uterinas, e normalmente também do útero e dos ovários. A quimioterapia costuma ser associada a essa cirurgia, para que as células doentes sejam completamente eliminadas.

Em todo o caso, o tipo e urgência do tratamento variam por mulher. Logo, é fundamental contar com diagnóstico específico ao seu caso.

Como o câncer, muitas vezes, não provoca sintomas, é fundamental que a paciente mantenha o costume de realizar exames ginecológicos periódicos. Assim, qualquer problema em seu sistema reprodutor, incluindo a hidrossalpinge, poderá ser rapidamente diagnosticado e tratado.