O que é ICSI? Quais as chances de engravidar?

Quando um casal não consegue engravidar, não significa que não irá conseguir. Na verdade, a demora pode ser consequência de algo que diminua a fertilidade do homem, da mulher ou de ambos. Algumas condições que interferem na fertilidade têm tratamento, no entanto, em outras, o casal pode utilizar alguma técnica de reprodução assistida, como a ICSI.
Sabe-se que casais normais podem demorar até 12 meses para obter sucesso em concepção natural, uma vez que, a cada mês, só há 20% de chance de engravidar espontaneamente. Afinal, a mulher precisa estar em seu período fértil para que a concepção ocorra, ou seja, ela precisa estar com seu óvulo disponível para que os espermatozóides liberados pela ejaculação encontrem o gameta e o fecundem.
Quando o casal está tentando engravidar há mais de 1 ano sem sucesso, pode indicar algum problema de fertilidade.
Existem várias as patologias que diminuem a taxa de gestação, por exemplo, a mulher com o diagnóstico de endometriose que pode ter infertilidade como uma das manifestações clínicas da doença. Outro exemplo, são as pacientes que possuem seu ciclo ovulatório muito irregular, ou nem mesmo ovulam. Se não houver gameta disponível para fertilização natural, não haverá a possibilidade de gravidez. Outro exemplo de problemas ocorre quando o pH vaginal da mulher é muito ácido. Nesse caso, os espermatozoides podem encontrar dificuldades em sobreviver no corpo feminino.
Já o homem pode apresentar problemas como a baixa ou nenhuma produção de espermatozoides ou sêmen. Alguns dos gametas masculinos produzidos também podem se apresentar mal formados, como sem cauda ou sem cabeça. Condições que impedem a ereção e a ejaculação são causas igualmente comuns da infertilidade.

Quando utilizar técnica de reprodução assistida?

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Assim que verificar tempo maior do que um ano de tentativas, é interessante que o casal busque verificar os motivos da demora. Aliás, o ideal é que, antes do início das tentativas de gravidez, homem e mulher busquem um diagnóstico completo da sua saúde reprodutiva. Assim, caso haja algum problema no sistema, ele poderá ser tratado antes de meses de frustração.
De qualquer modo, assim que o diagnóstico da condição impeditiva for realizado, o especialista vai indicar uma forma de tratamento do problema. Em alguns casos, como a varicocele, é possível reverter o quadro e permitir a concepção natural do casal. A varicocele é uma doença na qual surgem varizes nos testículos masculinos. Essas varizes aumentam o fluxo de sangue na região, o que provoca o aumento também da temperatura no órgão e prejudica a produção dos espermatozoides.
Leia mais sobre a infertilidade no texto Infertilidade: Masculina, Feminina e Tratamentos.
Em outros casos, o tratamento da condição pode não ser suficiente. Então, o médico pode indicar a realização de uma técnica de reprodução assistida, como a inseminação artificial, fertilização in vitro ou ICSI.

Quais as chances de sucesso da ICSI?

A ICSI (sigla em inglês que significa injeção intracitoplasmática de espermatozoides) é uma técnica de reprodução com chance de sucesso entre 35% e 60%. O processo consiste na injeção de um espermatozoide dentro de um óvulo, de modo que o gameta masculino fecunde o feminino e gere um embrião. O processo é realizado em laboratório, com o auxílio de microscópios, micromanipuladores e uma agulha sete vezes mais fina do que um fio de cabelo.
O tratamento de reprodução realizado por meio da ICSI dura entre 15 e 40 dias. O método foi utilizado pela primeira vez em 1992, na Bélgica, e chegou ao Brasil em 1994. Suas indicações são variadas, mas normalmente a opção só é utilizada quando inseminação e fertilização, mais simples, não dão resultado.

Indicação do tratamento

Uma das situações em que a ICSI é indicada ocorre quando homem ou mulher possuem doença infecciosa que interfere na fertilidade. Assim como quando o homem produz baixa contagem de espermatozoides, ou então gametas com defeitos morfológicos ou genéticos.
Também é interessante utilizar a técnica em caso de vasectomia realizada há mais de 5 anos, pois ela pode facilitar a geração de um embrião. Isso uma vez que será mais fácil pinçar e selecionar espermatozoide capacitado para a fecundação.
Ao mesmo tempo, o método é indicado para homens que tenham sofrido trauma na medula óssea, com reflexo na ereção e ejaculação. Aliás, homens com qualquer problema na ejaculação podem ter a ICSI sua principal aliada para fecundação.
É comum ainda que o especialista em reprodução humana indique a injeção intracitoplasmática também quando os gametas a serem utilizados estavam criopreservados. Isso pode ocorrer quando homem ou mulher optam por congelar suas células reprodutivas para a manutenção da sua capacidade de concepção.
Quando os indivíduos vão passar por tratamentos que possam prejudicar o sistema reprodutor, como a quimioterapia contra o câncer, é igualmente interessante fazer essa criopreservação. Além disso, os gametas utilizados podem ser doados, suprindo a necessidade de uma célula saudável que, infelizmente, pai ou mãe não conseguem produzir.
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Em todo o caso, antes da injeção do espermatozoide no óvulo, o gameta masculino é analisado no microscópio. Essa análise permite a percepção de qualquer problema da célula, inclusive em seu DNA. Isso torna a ICSI a técnica mais interessante para qualquer situação que indicar a necessidade de seleção de um espermatozoide saudável.
Finalmente, a técnica é indicada para situações em que é necessário fazer o Teste Genético Pré-implantacional (PGD). Aqui, caso seja percebida alteração na saúde genética do embrião, ele é descartado, em vez de transferido para o útero feminino.

ICSI: passo a passo

Antes do início do tratamento por ICSI, é indicado que o casal tome cuidados que também faria para a concepção natural. Isso inclui, por exemplo, ter uma alimentação balanceada, interromper o tabagismo, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas e fazer o uso da suplementação com ácido fólico (neste caso, só a mulher).
Assim que o médico define a técnica de reprodução como a mais indicada, a mulher também precisa passar por exames que comprovem a possibilidade de realizar o procedimento. Isso inclui a ultrassonografia transvaginal e o exame de Papanicolau, que podem verificar a saúde do sistema reprodutor.
Os testes também podem diagnosticar problemas como o HIV e a sífilis, e permitir seu tratamento antes da concepção. Em seguida, dá-se início ao tratamento para reprodução assistida.

Passo 1: indução de ovulação

Como o óvulo precisa ser pinçado do corpo da mulher, é necessário que ele fique disponível nas tubas uterinas. Aguardar o ciclo natural de ovulação, contudo, é bem pouco prático. Afinal, ele pode demorar a acontecer, ou nem mesmo ocorrer. Nesse caso, então, a mulher adota tratamento para indução da ovulação.
O processo de indução é realizado por meio de remédios hormonais. As substâncias estimulam o amadurecimento dos folículos ovarianos e sua posterior liberação.

Passo 2: liberação dos óvulos

Para que seja liberado, o folículo ovariano precisa atingir o tamanho de 18 mm. Por isso, durante todo o processo a mulher passa pelo monitoramento do crescimento da célula, por meio de exames de imagem.
Logo que o gameta atinge o tamanho ideal, a mulher recebe uma injeção do hormônio hcG, responsável por liberar o folículo amadurecido. O intervalo entre o amadurecimento e liberação do gameta dura entre 10 e 15 dias.

Passo 3: aspiração dos óvulos

Assim que liberados, os óvulos são pinçados do corpo feminino. O procedimento não dura mais do que 20 minutos, e normalmente é indolor. Contudo, a mulher pode utilizar anestesia local, para que não sinta tanto incômodo
Na hora da punção, o médico se orienta no corpo feminino por meio de uma ultrassonografia transvaginal. A retirada dos óvulos é feita pela vagina.

Passo 4: coleta de sêmen

Na mesma data em que o óvulo é obtido da mulher, faz-se a coleta do sêmen masculino. Os espermatozoides geralmente são colhidos por meio da masturbação, mas também podem ser pinçados diretamente dos testículos, caso o homem apresente algum problema de ejaculação.
Colhidos, os espermatozoides passam por análise em laboratório. O mais ativo e saudável (especialmente sem problemas genéticos) é selecionado.
Veja também: Esperma grosso ou viscoso — O que pode ser? Característica afeta as chances de engravidar?

Passo 5: fertilização

No laboratório, óvulo e espermatozoide são unidos. Para isso, um único gameta masculino é injetado no gameta feminino, com uma microagulha.

Passo 6: amadurecimento na incubadora

Com o óvulo fertilizado, as células passam a se dividir continuamente, até formarem um embrião. Esse embrião é cultivado em laboratório por cerca de cinco dias, de modo a atingir o tamanho adequado para a transferência para o corpo da mulher.

Passo 7: transferência do embrião

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Visando aumentar a chance de sucesso do processo, vários óvulos são colhidos do corpo da mulher e fecundados por meio da ICSI. Após dias de cultivo, os embriões passam por uma análise detalhada no laboratório, de modo que apenas o mais adequado seja transferido para o útero feminino. Nesse caso, são analisados fatores como a morfologia das células e o ritmo de divisão celular.
As regras para a realização da injeção intracitoplasmática no Brasil, assim como para outras técnicas de reprodução assistida, são definidas pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil. O órgão indica, por exemplo, o número máximo de embriões a serem transferidos para o útero feminino, de acordo com a idade da mulher.
O embrião é inserido no útero por meio da vagina, com o uso de um fino cateter. A formação de células, então, precisa se agarrar à parede interna do órgão, chamado de endométrio. O endométrio é o responsável por fornecer os primeiros nutrientes ao embrião. Caso consiga se agarrar ao tecido, dá-se origem à gravidez.

Passo 8: vitrificação dos embriões

Os embriões não utilizados no procedimento são geralmente congelados. Isso é feito para que haja a possibilidade de concepções posteriores.

Riscos da ICSI

Apesar de ser considerada segura e eficaz pelos especialistas em reprodução assistida, a técnica de ICSI possui alguns riscos associados. A começar pela possibilidade de a gravidez ocorrer fora do útero – a chamada gravidez ectópica.
Para que uma gravidez ectópica não ocorra, o responsável pelo procedimento normalmente faz o depósito do embrião a pelo menos 1 cm longe do fundo do útero. A distância dificulta a “caminhada” do embrião para outro órgão que não seja o uterino, como as tubas.
Como já citado, o número de embriões transferidos varia de acordo com a idade da mulher, mas normalmente ao menos dois são inseridos no útero. Isso gera a chance de que 25% a 30% das mulheres tenham uma gravidez gemelar. Quando concebe gêmeos, a mulher precisa ter acompanhamento ainda mais atencioso em seu pré-natal, pois esse tipo de gravidez é de risco.
Como a mulher passa por um processo de indução da ovulação, também existe a possibilidade do desenvolvimento da chamada Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO). Se não tratado, o problema pode levar à trombose.
Estudos também indicam que, apesar das síndromes serem raras, os bebês gerados por meio da ICSI têm mais chances de apresentar dois problemas. O primeiro é a síndrome de Beckwith-Wiedemann, caracterizada pelo crescimento alterado de alguns órgãos, especialmente na região abdominal. Já a síndrome de Angelman provoca o atraso no desenvolvimento intelectual da criança, além de distúrbios do sono e dificuldades de fala.

ICSI versus Fertilização in Vitro


Os processos de realização da ICSI e da fertilização in vitro são bastante semelhantes. O que diferencia as técnicas é o modo como o embrião é gerado.
Para a FIV, óvulo e espermatozoides são colhidos. Em vez de apenas um gameta masculino ser selecionado e injetado na célula da mulher, porém, vários deles são colocados juntos em um recipiente de cultivo. O gameta mais móvel e saudável, então, alcança o óvulo e o fecunda.
Nos passos seguintes, o embrião gerado é cultivado e transferido para o útero feminino. Assim como no método de reprodução anterior, dá-se início à gravidez quando as células conseguem se agarrar na parede do útero. Caso não consigam fazê-lo, ocorre um aborto espontâneo. Em ambas as técnicas, o casal pode fazer nova tentativa de gestação no ciclo fértil seguinte da mulher.

Quando a fertilização é indicada?

De modo geral, a fertilização in vitro é indicado para situações em que a mulher possui bloqueio nas trompas. Nesse caso, o espermatozoide não consegue alcançar o óvulo, uma vez que ele aguarda na tuba. A técnica é igualmente interessante para situações em que a paciente não possui tuba uterina.
Com o avançar da idade, a mulher também vê sua capacidade reprodutiva diminuir. A partir dos 35 anos, seus óvulos podem não possuir a mesma qualidade, e também é comum a irregularidade frequente de ovulação.
Tudo isso porque a mulher já nasce com todos os seus folículos ovulares prontos, e eles envelhecem com o tempo. Os níveis dos hormônios reprodutores do corpo também começam a diminuir a partir dessa idade, até que são interrompidos na menopausa. Logo, o uso da fertilização facilita muito a gestação, que teria que contar com sorte redobrada para a concepção natural.
Casos de endometriose, falência ovariana, infertilidade sem causa aparente (do homem ou da mulher) e baixa contagem de espermatozoides são outros beneficiados pela FIV. Tais quais aqueles em que os gametas masculinos apresentam baixa motilidade ou morfologia alterada. Assim como na situação de inexistência de espermatozoides no sêmen.
Ficou com alguma dúvida sobre a ICSI? Quer saber se essa é a técnica mais indicada ao seu caso? Entre em contato com os especialistas da Clínica GERA!

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