Ligadura tubária, sabe o que significa?

Já ouviu falar em ligadura tubária ou laqueadura? Uma mulher pode evitar a gravidez pode optar por alguns métodos contraceptivos diferentes, desde anticoncepcionais (orais ou injetáveis) e dispositivos intrauterinos (DIU) à preservativos.

Porém, quando não há o desejo de ter mais filhos, é possível fazer a esterilização definitiva através de uma intervenção cirúrgica, na qual se faz uma ligadura das trompas uterinas. 

No entanto, o procedimento só pode ser feito em casos bem específicos, por recomendação médica e consentimento do casal.

O texto abaixo explica sobre ligadura tubária, como é feita, quem pode fazer e se há possibilidade de reversão.

Confira!

O que é ligadura tubária?

desenho mostrando laqueadura tubaria
A ligadura tubária é um procedimento cirúrgico de esterilização feminina pelas trompas.

A ligadura tubária (ligadura de trompas) é um procedimento cirúrgico de esterilização feminina com o objetivo de impedir a gravidez.

O procedimento é conhecido por vários nomes além de ligadura tubária, como laqueadura e Contracepção Voluntária Cirúrgica Definitiva (CCVD).

É um método contraceptivo definitivo, pois o procedimento interrompe o encontro do óvulo, liberado por qualquer um dos dois ovários para ambas as trompas, com os espermatozoides impedindo que cheguem até ele. 

No entanto, a ligadura das trompas não vai impedir que a mulher continue ovulando e nem é capaz de interferir no ciclo hormonal feminino. Portanto, não causa nenhuma alteração no ciclo menstrual da mulher. 

É importante ressaltar, que o método é exclusivamente contraceptivo, e não possui eficácia contra doenças sexualmente transmissíveis. Assim, a camisinha masculina ainda se faz necessária para estes fins.

Entendendo o aparelho reprodutor feminino

desenho mostrando como é feita a laqueadura tubária
O aparelho reprodutor feminino pode ser esterelizado por laqueadura tubária.

O aparelho reprodutor feminino é formado por órgãos internos e externos: útero com duas tubas de uterinas e dois ovários, um em cada extremidade da tuba, e vagina (na cavidade interna) e vulva (cavidade externa). 

A cada ciclo menstrual da mulher um dos ovários amadurece um dos folículos que libera um óvulo a ser fecundado. 

Este óvulo caminha em direção a uma das trompas, até que um espermatozóide o encontra e ocorre a fertilização.

Caso não ocorra, esse óvulo é expelido na menstruação e todo o ciclo recomeça.

Como é exatamente nas trompas que ocorre o encontro entre os gametas reprodutores (óvulo e espermatozóide), são elas que devem ser bloqueadas para não permitir esse encontro.

Eficácia da ligadura tubária

A cirurgia de ligadura tubária é definitiva, isto é, a mulher que se submete ao procedimento não poderá mais engravidar. Por isso, a técnica é considerada um método contraceptivo permanente com taxa de sucesso super elevada, ao redor de 99%.

São raros os casos em que a reversão seja natural, resultando em uma gestação inesperada. A possibilidade disso acontecer é quase nula, além de depender de fatores como a técnica de cirurgia utilizada, tempo de cirurgia e idade da mulher. 

Existem índices de falha abaixo de 2%, em consideração a uma taxa cumulativa de um período de 10 anos — incluindo também o risco de gravidez ectópica, àquela em que o bebê de desenvolve nas tubas e não pode ser levada adiante.

Quem pode fazer a ligadura tubária e quando é indicada?

desenho do aparelho reprodutor feminino
Nem todas as mulheres podem fazer ligadura tubária.

Como é um método contraceptivo praticamente irreversível, há algumas condutas que precisam ser seguidas para o procedimento ser permitido, principalmente aqui no Brasil.

Pela lei brasileira nº 9.263/96, que regulamenta o planejamento familiar, a mulher precisa ter mais de 25 anos ou pelo menos 2 filhos vivos, haver risco de vida ou à saúde da mulher ou do futuro bebê.

A mulher também deve providenciar uma declaração escrita e devidamente assinada pela paciente, afirmando o desejo de se submeter ao procedimento, e de que foi devidamente informada sobre as suas consequências. Mulheres casadas, por exemplo, devem ter a autorização do cônjuge para realizar o procedimento.

Além disso, a paciente é submetida a uma avaliação médica com equipe multidisciplinar (psicólogos e assistente social), seguida de uma espera de 60 dias, como prazo de “tempo de reflexão”.

Somente após esse período é que o procedimento é permitido a ser realizado. Esta medida é uma espécie de prevenção ao arrependimento (taxa de 10%), já que a sua reversão é muito complicada. Isso porque há casos específicos, como a perda de um filho, novo casamento ou até melhores condições financeiras, que podem gerar certo arrependimento.

Por isso, o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação do desejo em realizar a ligadura e a cirurgia se faz necessário, a fim de desencorajar a esterilização precoce.

Tipos de ligadura tubária

Existem algumas formas diferentes de realizar a cirurgia de ligadura tubária, mas todas seguem o mesmo objetivo de impedir a passagem do óvulo e dos espermatozoides pelas trompas, a fim de evitar a fecundação.

O procedimento consiste em cortar as tubas uterinas e amarrar suas extremidades, podendo ser feito com anéis de plástico, clipes de titânio (cirúrgicos), cauterização ou fio de sutura.

Como é feita a ligadura tubária?

esquema de desenho mostrando os órgãos reprodutores femininos com laqueadura tubária
A ligadura tubária pode ser feita de várias formas.

As técnicas são classificadas segundo a escolha de corte e suas vias de acesso, como por exemplo, por via abdominal ou vaginal. 

  • por via abdominal: poderá ser feita por laparotomia e videolaparoscopia, que apresenta mais vantagens pós-operatórias, como menos dor, mais rapidez no procedimento e na recuperação; 
  • por via vaginal: é feita por colpotomia ou histeroscopia. 

Veja todas as técnicas em mais detalhes abaixo:

Laparoscopia

A ligadura tubária por laparoscopia é um procedimento cirúrgico feito através de uma pequena incisão próxima ao umbigo e na parte inferior do abdômen (incisão suprapúbica), a fim de introduzir um dispositivo (laparoscópio), para visualizar as trompas de Falópio. 

A obstrução pode ser feita com anéis ou clipes para fechar as extremidades das trompas, ou cauterizá-las através de calor.

Videolaparoscopia

A videolaparoscopia é uma técnica menos invasiva, que pode ser realizada de modo ambulatorial, na qual um sistema de câmeras faz a inspeção dos órgãos pélvicos e abdominais. 

A cirurgia é executada sem precisar realizar grandes incisões, com apenas acessos diâmetros mínimos de menos de cinco milímetros. 

Para a obstrução das trompas utilizam-se fio cirúrgico, eletrocoagulação, clipe (grampo) ou anel de silicone.

Mini-laparotomia

A mini-laparotomia deve ser  feita imediatamente após o parto ou até dois dias depois, para aproveitar o tamanho aumentado do útero, que facilita a cirurgia.

O procedimento é feito através de uma pequena incisão no abdômen para remover uma parte das trompas de Falópio de cada lado. 

Colpotomia

A colpotomia é feita através de um corte em torno do colo uterino (fundo-de-saco), área posterior da vagina, de onde é possível alcançar as tubas e obstruí-las.

Histeroscopia

A histeroscopia cirúrgica, por sua vez, permite o acesso às trompas por meio da inserção de um dispositivo nas trompas que impede a fertilização. A ligadura tubária histeroscópica não necessita de cirurgia, podendo ser realizada fora do ambiente hospitalar, apenas com anestesia local. 

O acesso às trompas é feito por via endoscópica, pela cavidade do útero através da vagina, por um tubo fino com fibra óptica em sua extremidade (aparelho endoscópico, chamado histeroscópio).

Esse aparelho entra pela vagina, atravessa o útero e chega às trompas, causando uma reação do sistema imunológico que provoca uma inflamação e o crescimento de tecido cicatricial, que fecha as trompas.

Esse processo de fechamento leva cerca de três meses para se concretizar, submetendo a paciente a um exame de histerossalpingografia para identificar a interrupção efetiva das trompas.

Embora seja popular, a técnica não está sendo mais utilizada por conta do elevado número de complicações pós-operatórias, como dor pélvica crônica e sangramentos uterinos.

Possíveis complicações pós-ligadura

A ligadura tubária é um procedimento seguro, com raras complicações. Porém há casos em que surgem alguns problemas de natureza física ou psicológica. 

A paciente pode vir a se arrepender ou deprimir. O arrependimento é mais frequente entre mulheres jovens, que muitas vezes passam por um divórcio e se casam novamente, passando a desejar mais filhos com o novo marido.

Já as repercussões de natureza física podem resultar em alterações mínimas ou inexistentes, como:

  • lesões do mesossalpinge (prega peritoneal que sustenta as tubas uterinas);
  • disfunções ovarianas;
  • dor pélvica crônica;
  • alterações hormonais e menstruais.

Em geral, a ligadura tubária feita por laparoscopia ou por mini-laparotomia possui taxa de complicações de 0,1%, sendo as mais comuns: infecção, lesão de bexiga ou dos intestinos, hemorragia interna ou problemas relacionados à anestesia.

No entanto, todas as técnicas apresentam uma taxa de sucesso acima de 99%, com menos de 1% das mulheres engravidando após 15 anos. 

Por fim, é preciso ressaltar que a ligadura tubária não altera o ciclo menstrual e nem interfere no desejo sexual da mulher.

A reversão da ligadura tubária é possível?

Caso a mulher se arrependa do procedimento, há a possibilidade de reverter a situação com técnicas de reprodução assistida. No entanto, o sucesso do procedimento de reversão vai depender de fatores como a preservação da porção final das tubas e as condições de saúde das trompas.

A reversão pode até ser possível, mas os riscos e o procedimento são mais complexos que a ligadura das trompas, com taxa de sucesso para reversão de apenas 20%. 

Portanto, a decisão por uma ligadura tubária deve ser extremamente consciente e sem qualquer dúvida ou insegurança, para evitar o arrependimento ao máximo.

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