Meu mioma sumiu, isso é normal? O que devo fazer?

Meu mioma sumiu, isso é normal? O mioma é um tumor considerado benigno, que costuma aparecer no útero. Embora muito comum e presente em 40 a 80% das mulheres, possui risco muito pequeno de malignidade.

Normalmente, os miomas só são descobertos durante exames de rotina, pois apenas 20% das mulheres apresentam algum sintoma e necessitam de tratamento. Por isso, somente para essa parcela que se recomenda algum tipo de tratamento.

Portanto, é normal o mioma regredir e desaparecer em alguns casos, visto que costumam se desenvolver por conta de desequilíbrios hormonais, e param de crescer quando o organismo restabelece o equilíbrio.

No entanto, ele não é expelido naturalmente pela menstruação, ou eliminado pela vagina. Há casos em que miomas submucosos são expulsos através do colo uterino, mas ficam dentro da vagina (mioma parido).

Neste caso, esse tipo de mioma está associado a sangramentos volumosos e cólicas menstruais. Por isso, necessitam de tratamento cirúrgico, embora a maioria dos miomas possam ser tratados com medicamentos anticoncepcionais, hormonais, anti-inflamatórios e anti-fibrinolíticos.

Se você tem dúvidas sobre miomas ou desconfia de estar sofrendo por algum sintoma relacionado, procure um médico para um diagnóstico preciso.

Leia mais sobre o assunto abaixo!

O que é mioma, por que é comum aparecer?

esquema ilustrando útero e ovários
O mioma, fibroma ou leiomioma uterino, é uma espécie de neoplasia ou tumor benigno

O mioma, fibroma ou leiomioma uterino, como também é conhecido, é uma espécie de neoplasia ou tumor benigno, que costuma aparecer nas paredes do útero na idade fértil da mulher.

Cerca de 40% das mulheres já possuem ou terão miomas ao longo da vida. Ele aparece em resultado da proliferação exagerada do miométrio (camada muscular uterina).

Geralmente, o seu crescimento é estimulado pela liberação do hormônio estrógeno durante o período fértil. Miomas podem chegar a ter poucos milímetros ou até serem maiores do que um melão.

Normalmente, a estrutura de suas células é normal, que se multiplica de forma lenta e não agridem outros órgãos. No entanto, quando muito grandes podem provocar sangramentos ou comprimir estruturas adjacentes, principalmente a bexiga.

Como a sua incidência é maior durante a idade fértil (até uns 40 anos), os miomas tendem a regredir após a menopausa, exceto quando se faz terapia de reposição hormonal.

Por isso, é normal ouvir de mulheres: “meu mioma sumiu!”, após alguns anos, quando a idade se aproxima da menopausa.

Principais tipos de miomas

esquemaliustrando diferentes tipos de miomas
Existem vários tipos de miomas uterinos.

Existem três tipos de mioma uterino que são classificados quanto à sua localização: subserosos (porção mais externa do útero, inflando para fora), intramurais (entre as paredes internas do útero, se expande para dentro) e submucosos (logo abaixo do endométrio, camada que reveste o órgão).

Além disso, é bastante raro ter apenas um mioma. Na verdade, há casos de mulheres com vários miomas, em fases distintas ao longo da vida, pode até ter os três tipos ao mesmo tempo.

Mas eles aparecem sozinhos, assim do nada?

As causas para o aparecimento de miomas ainda são desconhecidas. Porém, sabe-se que os hormônios femininos (progesterona e o estrogênio) possuem um papel de destaque no seu desenvolvimento.

O mioma também pode estar relacionado a desordens na estrutura vascular da camada muscular do útero e a fatores hereditários.

Por isso que com a chegada da menopausa, e a queda na produção do estrogênio, o mioma costuma regredir, podendo até desaparecer sozinho. Assim, é comum mulheres acima dos 40 anos dizerem: meu mioma sumiu!

No entanto, durante a gravidez eles possuem tendência a aumentar.

Portanto, o pico de incidência de miomas é aos 35-40 anos, embora possa aparecer em mulheres mais jovens.

Meu mioma sumiu, mas quem pode ter miomas?

mulher grávida em consultório com médica
O diagnóstico de miomas vem sempre após o surgimento de algum problema.

Os principais fatores de risco para uma maior predisposição ao desenvolvimento de miomas ao longo da vida são a idade fértil, distúrbios hormonais, histórico familiar, origem étnica (mulheres negras), não engravidar até os 35 anos e obesidade.

De uma forma geral, mulheres negras costumam apresentar miomas maiores e sangramento excessivo, por questões relacionadas à genética. Já as mulheres obesas, a quantidade na produção de estrogênio costuma aumentar por conta da gordura armazenada.

Se eu não sei que tenho, como é feito o diagnóstico?

Como a maioria dos casos de mioma não produzem sintomas significantes, o diagnóstico é feito durante as consultas ginecológicas de rotina.

Ou, na presença de sintomas, o médico realiza o exame físico, assim como exames de ultrassonografia abdominal e/ou transvaginal, bem como ressonância nuclear magnética.

Sendo assim, os principais sintomas associados aos miomas são:

  •     Período menstrual prolongado c/ aumento de fluxo;
  •     Fortes cólicas ou dores abdominais;
  •     Aumento do volume uterino e região abdominal;
  •     Prisão de ventre;
  •     Frequência urinária ou incontinência;
  •     Dores durante relações sexuais;
  •     Dificuldade para engravidar.

Embora sempre benigno e rara a possibilidade de virar câncer, há casos em que o tamanho do mioma pode acometer o útero de forma generalizada, necessitando a sua remoção cirúrgica.

Por isso, o diagnóstico deve ser preciso ao diferenciá-lo de um tumor maligno. Sendo assim, é extremamente importante as visitas anuais ao ginecologista, pois o diagnóstico precoce é importante para iniciar logo o tratamento e evitar cirurgias.

Quando devo me preocupar ou buscar tratamento?

Se o seu caso for do tipo “meu mioma sumiu”, não há com o que se preocupar.

Afinal, os miomas só se tornam preocupantes e irão exigir alguma intervenção na presença de sintomas muito fortes que incomodam ou interferem na rotina da mulher, como aumento do fluxo menstrual, cólicas constantes, inchaço abdominal, dores durante a relação sexual, sensação de pressão abaixo do umbigo, entre outros.

Nesse caso, é preciso investigar. Do contrário, miomas não são motivo de preocupação, por não apresentarem risco de se transformar em câncer.

Além disso, os miomas costumam permanecer do mesmo tamanho durante anos, diminuírem de tamanho e até desaparecem.

Já no caso de sintomas, vale a pena investir em um tratamento, que deve ser adequado a cada paciente em específico, considerando a gravidade dos sintomas, idade e o estilo de vida.

Tipos de tratamentos disponíveis

Há váriso tratamentos disponíveis para miomas, dependendo do seu tipo.
Há váriso tratamentos disponíveis para miomas, dependendo do seu tipo.

Nos casos de sintomas muito incômodos e risco de comprometer outros órgãos, por conta do tamanho volumoso, o tratamento ideal é baseado em alguns fatores, como idade, estado de saúde geral da mulher, gravidade dos sintomas, tipo do mioma e desejo de engravidar futuramente.

Já quando não há a presença de sintomas, o tratamento pode ser ambulatorial. No entanto, não há um medicamento capaz de fazer o mioma desaparecer.

Alguns remédios apenas impedem o seu crescimento ou reduzem o seu tamanho temporariamente, mas o mioma volta a crescer quando o tratamento é interrompido.

Mulheres ainda em idade fértil e que desejam ter filhos posteriormente, pode-se fazer uso de anticoncepcional. Há também a opção de intervenção não cirúrgica, como a embolização da artéria uterina, uma técnica de obstrução das artérias que alimentam o mioma e o fazem crescer ( mas pode interferir na reprodução).

Já as opções cirúrgicas para a retirada do mioma incluem a miomectomia, na qual retira-se apenas os miomas; e a histerectomia, que retira parcialmente ou totalmente o útero, apenas em último caso e quando a paciente não deseja mais engravidar.

Meu mioma sumiu, mas ele pode voltar?

Às vezes, os medicamentos funcionam apenas reduzindo os sintomas, o tamanho dos miomas ou impedindo eles de crescerem, mas os miomas podem voltar quando o tratamento é interrompido.

Os anti-inflamatórios, por exemplo, podem aliviar as dores e o sangramento, mas não agem sobre os miomas e nem influenciam no seu desenvolvimento ou regressão.

A pílula anticoncepcional combinada (de estrogênio e progesterona) diminui o fluxo menstrual e não estimula o crescimento do tumor. Já a pílula apenas com progesterona pode reduzir tanto o fluxo que a mulher pára de menstruar.

O DIU com progesterona tem o mesmo efeito, mas só pode ser utilizado se o mioma estiver localizado em local onde não impeça a sua inserção.

Existe também um tratamento clássico com análogos do GnRH (injeção), que regulam indiretamente a produção de estrogênio e de progesterona. Eles impedem os ovários de produzir hormônios, bloqueando a ação do estrogênio e simulando a menopausa.

Nesse caso, a mulher para de ovular e de menstruar, regredindo o mioma. No entanto, pode ter sintomas de menopausa, como ondas de calor. Além da qualidade de vida não melhorar, essa injeção não pode ser usada por mais de seis meses, pois fragiliza os ossos.

A miomectomia, por exemplo, pode apenas remover alguns miomas, deixando outros que podem voltar a crescer futuramente.

E na embolização, outros vasos sanguíneos podem voltar a nutrir o tumor, que acaba crescendo, mesmo após ter regredido. Infelizmente, o único método garantido e definitivo, é a remoção do útero (histerectomia), mas é o último recurso, visto que a mulher não quer  mais engravidar.

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