Mioma submucoso: O que é e como tratar?!

Você sabe o que é um mioma submucoso? A parede do útero feminino é constituída por três camadas: uma interna chamada endométrio, onde o embrião é implantado; uma intermediária denominada miométrio; e outra mais externa que chamamos de perimétrio.

Os miomas são tumores benignos e constituídos por células musculares de incidência muito comum no útero e na pelve da mulher. Ainda se discute a sua incidência, porém já se sabe que representam 50% das necropsias em mulheres.

O histórico familiar e a hereditariedade estão relacionados à sua incidência e ao seu desenvolvimento com frequência. Os hormônios femininos estrogênio e progesterona também têm papel importante no aparecimento e crescimento desses tumores.

No início, eles são intramurais, se desenvolvendo primeiro no miométrio, depois crescem para fora, se tornando subserosos ou para dentro da cavidade, sendo conhecidos por submucosos.

Em geral, o diagnóstico é feito através das queixas da paciente ou por exames ginecológicos de ultrassonografia ou ressonância magnética, sendo a histeroscopia a melhor opção para miomas submucosos.

Através do procedimento é possível avaliar dentro da cavidade uterina, identificar possíveis lesões associadas e definir a característica do endométrio, bem como identificar o tipo de mioma, sua localização.

O que é mioma submucoso?

esquema mostrando mioma submucoso
O mioma submucoso é um tumor benigno.

O mioma submucoso é um tumor benigno, de fibras musculares, que costuma aparecer quando ocorre um crescimento desordenado de células do miométrio, camada intermediária da parede uterina.

Essa proliferação de células do miométrio acaba levando à formação de nódulos no interior do útero, podendo causar dores pélvicas e sangramentos.

Tipos de mioma submucosos

Com o objetivo de facilitar os diagnósticos e a avaliação dos resultados, bem como o prognóstico cirúrgico, os miomas submucosos foram classificados baseados na classificação da Sociedade Europeia de Endoscopia Ginecológica (ESGE), de acordo com a sua localização e profundidade em relação ao miométrio.

Assim, os miomas submucosos foram divididos em três subtipos:

  •     Nível 0: mioma submucoso que se encontra totalmente na parte interna do útero da cavidade uterina (pediculado), sem se projetar para o miométrio, comprometendo apenas o endométrio;
  •     Nível 1: quando mais de 50 % do mioma submucoso se encontra-se dentro da cavidade uterina e uma menor porção no miométrio;
  •     Nível 2: quando mais da metade do mioma submucoso fica alojado no miométrio, ou seja, intramural (séssil).

Sintomas do mioma submucoso

mulher com dor na região uterina por mioma submucoso
O mioma submucoso costuma apresentar vários sintomas.

Miomas submucosos são os que mais apresentam sintomas, principalmente os sangramentos, visto que provoca danos à parede que reveste internamente o útero e é expelida na menstruação, o endométrio.

Os seus principais sintomas são:

  •     Sangramento anormal e abundante, mesmo fora do período menstrual;
  •     Aumento do fluxo menstrual, podendo apresentar coágulos;
  •     Dores pélvicas fortes;
  •     Anemia ferropriva, por conta dos sangramentos em excesso;
  •     Compressão de órgãos adjacentes, caso seja muito grande, podendo provocar aumento da frequência urinária, no caso de comprimir a bexiga.

Diagnóstico de mioma submucoso

É comum a dúvida entre mulheres se quem tem mioma podem engravidar. O diagnóstico de mioma submucoso deve ser realizado por um médico ginecologista, através de exames de imagem, no caso a ultrassonografia e a ressonância magnética.

Histeroscopia diagnóstica é considerado padrão ouro no diagnóstico deste tipo de mioma,pois permite visualizar a cavidade uterina por inteiro possibilitando sua classificação.

Mioma submucoso X gravidez

Geralmente, mulheres que apresentam o diagnóstico de mioma submucoso confirmado, podem ter a sua fertilidade comprometida, já que a condição costuma comprometer o endométrio.

Como o endométrio é justamente a camada do útero onde o embrião é implantado, as mulheres nessas condições costumam ter mais dificuldades para engravidar e maiores chances de sofrerem abortos espontâneos.

Isso porque eles acabam formando uma barreira para o espermatozóide chegar até o óvulo e dificultam a nidação (implantação), impossibilitando a gravidez ou impedindo a sua evolução.

Tratamento para mioma submucoso

mulher tocando a região do útero
Existem diferentes aborgadens de tratamento para mioma submucoso

Em geral, o tratamento mais adequado em caso de miomas submucosos vai depender muito das particularidades de cada caso e do histórico clínico das pacientes.

De qualquer forma, a abordagem é cirúrgica, podendo ser com anestesia ou sedação, com o objetivo de retirar o nódulo via histeroscopia.

O procedimento é de fácil execução, tem baixo risco de complicações e uma morbidade mínima.

Além disso, possui menor tempo de internação, produz menos dor no pós-operatório e tem recuperação mais rápida, com retorno às atividades profissionais e sexuais em menos tempo.

Ele consiste em inserir o material de ressecção pelo colo do útero junto a uma câmera sem necessidade de incisão.

No entanto, há casos em que a via histeroscópica é mais difícil de ser executada, como em casos em que as pacientes ainda desejam engravidar, neste caso o procedimento cirúrgico precisa ser mais conservador, a fim de preservar a cavidade uterina.

Por exemplo, a cirurgia pode ser feita em dois tempos, retirando uma parte do mioma em um primeiro momento, para depois repetir o procedimento para remover o restante.

O objetivo é garantir melhores condições para engravidar e manter a gravidez na cavidade uterina.

Além disso, o ginecologista pode indicar o uso de alguns medicamentos para aliviar os sintomas, diminuir o sangramento e reduzir o tamanho do mioma, considerado grande ou não, bem como melhorar as condições gerais da mulher para a realização de uma cirurgia menos invasiva, como por técnicas de embolização.

Miomectomia por histeroscopia

A Miomectomia é o nome do procedimento cirúrgico que utiliza o método da histeroscopia. O procedimento é o mais adequado para os miomas submucosos por ter menor morbidade e por ser capaz de preservar o útero e suas estruturas adjacentes, de grande importância para mulheres na melhor idade para engravidar ou em idade reprodutiva.

A miomectomia pode ser indicada para miomas submucosos do tipo 0, I e II (até 4 cm), sendo ideal a miomectomia abdominal, em casos de miomas múltiplos, de tamanho grande ou do tipo II), principalmente se a mulher deseja engravidar.

Miomas sintomáticos, mesmo após a menopausa, ou em mulheres que desejam engravidar por ovodoação, devem ser removidos para melhores resultados.

Já no caso dos miomas assintomáticos, a retirada é indicada quando há deformação da cavidade uterina, caso a mulher pretenda ainda engravidar.

Há também a possibilidade de haver uma segunda intervenção por motivos de excisão incompleta ou recorrência dos miomas e/ou sintomatologia (20-25% em 5 anos).

Além disso, algumas técnicas associadas ao procedimento, como secção, vaporização ou morcelação, devem levar em conta as características de cada paciente.

Em geral, a preparação pré-cirúrgica pode incluir prescrição de agonistas do GnRH para diminuição do volume do mioma e corrigir a anemia.

Considerações finais

A indicação de uma miomectomia histeroscópica em caso de mioma submucoso deve sempre levar em conta a localização, tamanho, margem miometrial livre e profundidade da extensão intramiometrial do mioma.

Este último fator, um dos mais importantes na determinação da eficácia da cirurgia histeroscópica.

Além disso, o planejamento pré-cirúrgico da miomectomia é de grande importância, visto que o grau de dificuldade operatória, tempo cirúrgico, balanço hídrico e taxas de complicações estão diretamente relacionadas com as diferentes características do mioma.

Afinal, as taxas de falha e dificuldade operatória durante o procedimento parecem estar relacionadas diretamente com a classificação específica do mioma.

Dessa forma, o ginecologista deve fazer um mapeamento pré-operatório da extensão do envolvimento miometrial dos miomas, a fim de fazer a seleção mais apropriada de cada caso para a cirurgia histeroscópica.

O médico pode associar a histeroscopia diagnóstica com exames de ultrassonografia endovaginal e ressonância magnética para um mapeamento mais preciso do comprometimento da cavidade endometrial e do grau de profundidade no miométrio.

Mas o mais importante para um diagnóstico e tratamento adequados é a paciente ficar atenta aos sintomas no organismo, fazer as consultas e exames de rotina e seguir todas as recomendações médicas.

Vale ressaltar que, embora o mioma submucoso tenha alta incidência, as chances dele se transformar em câncer são mínimas. 

 

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