Pólipo endometrial: saiba o que é e como tratar

O pólipo endometrial aparece quando as células da parede interna do útero, ou seja, o endométrio, crescem de forma excessiva. Assim, em exames de imagem pode-se observar diversas pequenas saliências no interior do órgão, aderidas à sua parede.
O endométrio é a camada interior do útero, que se espessa mensalmente para o recebimento de um embrião. É nela que um óvulo recém-fecundado precisa se fixar (implantar), para então iniciar seu desenvolvimento como feto.
Quando uma gravidez não acontece, o endométrio é eliminado do corpo, por meio da menstruação. No caso da existência dos pólipos, contudo, essas saliências continuam presas à camada interna do útero, podendo causar, especialmente, certa dificuldade  da mulher em engravidar.
Esse efeito, em todo o caso, depende da quantidade de tumores instalados, assim como da sua localização. Dizemos tumores porque é assim que os pólipos são classificados, apesar de normalmente benignos. Continue acompanhando o texto, porque logo mais explicaremos sobre este aspecto do problema.
Mais do que pelo tecido anormal do endométrio, os pólipos são constituídos pelo estroma, o tecido conjuntivo que funciona para a sustentação do útero. O grupo mais afetado por essa condição é o de mulheres na menopausa ou pós-menopausa. Apesar de mais raros em adolescentes, contudo, os pólipos podem se desenvolver em qualquer período da idade reprodutiva da mulher. Em muitos casos, o problema não apresentar sintomas, e por isso não é nem mesmo diagnosticado.

Sintomas do pólipo endometrial

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As causas do desenvolvimento de pólipos uterinos são desconhecidas. Os micropólipos parecem estar relacionados à infecção, os outros a alterações hormonais.
Como citado, existem casos em que a mulher nem mesmo percebe sintomas do problema. Quando ocorrem, contudo, eles podem se manifestar por meio de períodos menstruais irregulares e sangramentos vaginais entre cada menstruação. Também é comum o acontecimento do sangramento vaginal após o contato íntimo.
Dependendo do seu tamanho e localização, um pólipo também pode provoca dor intensa durante a menstruação. Geralmente, esse sinal é confundido com uma cólica comum. No entanto, é importante avaliá-la à fundo caso as dores estejam localizadas em um único ponto do abdômen.
Ao mesmo tempo, a mulher costuma perceber o sangramento exagerado durante a menstruação. Geralmente, em um fluxo muito maior do que era comum do seu período.

Como o pólipo endometrial pode interferir na gravidez?

Outro sintoma da ocorrência do pólipo endometrial é a dificuldade de engravidar.  O problema pode acontecer porque a bolinha no interior do útero pode dificultar a implantação do óvulo fecundado. Pode ainda dificultar o deslocamento deste óvulo até o local necessário. Isso uma vez que as protuberâncias funcionarão como uma série de pequenas barreiras.
Geralmente, um casal demora até um ano para alcançar a gravidez. Afinal, existe apenas 20% de chance de que ela ocorra a cada mês, uma vez que o óvulo feminino precisa estar disponível. Um óvulo é disponibilizado por meio da ovulação, processo no qual os folículos ovarianos são amadurecidos e liberados pelo ovário.
Assim que liberado, o óvulo permanece na tuba uterina, aguardando a chegada dos espermatozoides. Essa espera pode durar até 72 horas, que é o tempo máximo de vida da célula feminina. Após esse intervalo, o óvulo é dissolvido e posteriormente liberado pela menstruação, junto ao endométrio espesso e não utilizado.
Por outro lado, quando o óvulo é fecundado por um espermatozoide, ele desliza até o útero e se agarra à sua parede interna. Quando existem pólipos no tecido, contudo, o gameta fecundado pode não encontrar espaço adequado para sua instalação.
No caso do tumor estar localizado de forma muito próxima à tuba, ele também pode impedir que os espermatozoides cheguem ao óvulo, ou mesmo que a célula fecundada se desloque corretamente.

Não consigo engravidar. O que faço?

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Quando o casal não consegue alcançar a gravidez após 12 meses, pode ser sinal de algum problema de infertilidade. Tanto no homem, quanto na mulher. Por isso, é fundamental que ambos procurem auxílio médico e realizem seu diagnóstico. Assim, a condição impeditiva poderá ser tratada. O casal também poderá fazer o uso de técnicas de reprodução assistida, se assim o médico julgar mais interessante.
De qualquer forma, em grande parte dos casos as mulheres conseguem engravidar normalmente. No caso dos pólipos já terem sido descobertos, contudo, é interessante realizar seu tratamento antes do início das tentativas de gestação.
Esse cuidado é necessário porque a existência de pólipos com mais de 2 cm durante a gravidez pode causar problemas. Como, por exemplo, o aumento do sangramento vaginal. A mulher também sofre o risco de abortamento, tal qual do aumento do tamanho dos pólipos.
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Diagnóstico dos casos de pólipo uterino

Para determinar o tratamento mais adequado à mulher, o médico precisa realizar exames de diagnóstico detalhados. Apenas assim poderá verificar a gravidade e riscos do problema à saúde feminina.
Entre os exames utilizados estão a ultrassonografia transvaginal. Para realizá-la, o médico se utiliza de um pequeno aparelho que, introduzido na vagina, produz ondas de som. Essas ondas, então, são transformadas e enviadas a um monitor em formato de imagens dos órgãos internos, especialmente do útero.
Também é comum a realização de um exame ginecológico. Em uma situação de suspeita da malignidade dos tumores, o especialista pode também recomendar a realização de uma biópsia. Ou seja, da coleta de tecido e sua análise em laboratório. Estudos mostram que em sua maioria os pólipos uterinos são benignos, mas podem vir associados ao câncer de endométrio em apenas 5% dos casos, requerendo um tratamento diferenciado.

Tratamento para o problema no endométrio

Assim que definido o tipo de pólipo endometrial, o ginecologista poderá indicar o tratamento mais adequado. Em algumas situações, até, não é necessária nenhuma intervenção.
O tratamento é a remoção cirúrgica, na qual o médico pode realizar através de uma histeroscopia. Antigamente, realizava-se a curetagem. No entanto hoje, com a histeroscopia, a cirurgia é pouco invasiva, utilizando de um instrumento que vai da vagina ao útero e faz a retirada do pólipo sem  nenhum corte externo da pele. Formações polipóides e pequenos pólipos podem desaparecer sem a cirurgia. Mas, requer atenção especial, pois pode não ser apenas um pólipo e ser o início de um câncer, como dito.
Em casos graves, como da malignidade do tumor, pode ser que o ginecologista precise indicar a retirada do útero. De qualquer forma, essas situações são bem pouco comuns. Especialistas indicam que há apenas 3% de chance de que um pólipo evolua para o câncer no endométrio.

Pólipo endometrial pode virar câncer?

Na grande maioria dos casos, um pólipo endometrial permanece benigno. Contudo, há a possibilidade de que o tumor evolua e se torne, sim, um câncer – em 3% dos casos, como já citado.
Existem alguns fatores de risco que podem levar a essa evolução:

  • o tamanho exagerado do pólipo;
  • a idade da mulher – as maiores de 60 anos são mais sujeitas ao aparecimento do câncer;
  • a ocorrência de sangramentos uterinos anormais;
  • e a menopausa.

Quem apresenta pressão alta, obesidade ou histórico de pólipos na família também está mais sujeita à condição.
Por isso, mesmo que o médico verifique a desnecessidade de tratamento para o problema, não significa que a mulher deva ignorá-lo. Em vez disso, é importante que ela mantenha o acompanhamento adequado desses pólipos, realizando avaliação pelo menos a cada 6 meses. Esse acompanhando permitirá a percepção da evolução do pólipo e, se for o caso, sua necessidade de tratamento.

Quando a reprodução assistida é indicada?

Tal qual como explicado ao longo do texto, os pólipos endometriais não costumam causar grandes problemas para a concepção. Especialmente porque a condição é mais comum em mulheres já na menopausa, ou próximas ao período. Ou seja, em momentos em que já não é possível (ou quase não há mais chance) de gravidez.
De qualquer forma, o casal pode, sim, apresentar dificuldades para engravidar. Dependendo do tempo de tentativas, a situação pode se tornar ainda mais complicada, já que a idade da mulher influencia diretamente em sua fertilidade.
Dessa forma, é importante que o médico avalie a possibilidade de uso de uma técnica de reprodução assistida. Especialmente com o objetivo de agilizar o processo de concepção. Nestas situações, a técnica geralmente indicada é a fertilização in vitro (FIV).  É importante lembrar que somente a existência do pólipo endometrial não é indicação de (FIV).

Como funciona a fertilização in vitro?

Para realizar a fertilização in vitro, a mulher passa pela estimulação ovariana. Ou seja, por meio de medicamentos hormonais estimula seus ovários a amadurecerem seus folículos e a liberarem os óvulos corretamente.
Logo após essa etapa, o óvulo é coletado, assim como os espermatozoides do homem – neste caso, pela masturbação. Os gametas, então, são levados ao laboratório e colocados juntos, de modo que haja a fecundação.
Em seguida, o embrião é cultivado por cerca de cinco dias, após os quais será transferido para o útero da mulher. Lá, deverá se fixar à parede interna do útero, de modo que possa se desenvolver. Caso consiga fazê-lo, dará-se início à gestação.
Essa técnica de reprodução assistida pode facilitar a concepção por uma série de motivos. Como já citado, por agilizar o processo de gravidez, que não precisará aguardar a ovulação natural feminina. Além disso, o óvulo não precisará sair da tuba e percorrer seu caminho até o útero, uma vez que o embrião já será posicionado no órgão. Logo, pólipos que atrapalhariam o deslocamento da célula serão desconsiderados.
É importante, no entanto, destacar a necessidade de avaliação cuidadosa do médico. Quando os pólipos presentes no útero, é preciso que eles sejam tratados ou retirados antes da instalação do embrião. É questionável a manutenção de pólipos endometriais em processos de fertilização in vitro, mesmo que pequenos. No caso do processo de fertilização já ter sido iniciado, é possível criopreservar (congelar) os embriões gerado e só implantá-los após a terapia correta.
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Mesmo que apontado como benigno, não descuide do seu diagnóstico de pólipo endometrial. O acompanhamento médico é fundamental para a manutenção da sua saúde!

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