Quer ser mãe após os 35 anos? 7 coisas que você precisa saber

Muitas mulheres adiam o sonho de ser mãe por diversos fatores pessoais. Confira abaixo algumas informações a respeito que você precisa saber ao postergar a maternidade.

A maioria das mulheres já pensou em ter filhos algum dia. A melhor fase fisiológica para tê-los seria por volta dos 20 anos, mas sabemos que não é a realidade da sociedade moderna. Para muitas mulheres o sonho acaba sendo difícil de ser atingido quando aparecem os problemas que levam à infertilidade.
A jovem está mais focada nos estudos, na profissão ou mesmo em “curtir” a vida sem filhos. Mas, imagine se é acometida por algum tipo de câncer e tenha que se submeter a uma quimioterapia que acaba com a função ovariana (não produzindo mais óvulos). Ou tenha que se submeter a uma cirurgia por cisto ovariano e perde o ovário. Ou tenha nascido com a predisposição de ter menos óvulos, fato que poderá levá-la a ter menopausa precoce.
Estes são alguns imprevistos da vida que podem acabar com a capacidade fértil da jovem. O que se pode fazer para continuar tendo a possibilidade de ter filho, mesmo postergando a maternidade?
Atualmente, isso é possível preservando a fertilidade pelas técnicas de reprodução assistida.

1 – A jovem pode ter menos óvulos que a maioria das mulheres da mesma idade

A reserva ovariana é a quantidade de óvulos que a mulher tem nos ovários que vão sendo consumidos com o passar dos anos. A mulher perde em média 1.000 óvulos por mês desde que começa a menstruar. Eles não são repostos pois ela não fabrica óvulos. A mulher nasce com uma quantidade de óvulos que vai sendo consumida ao longo da vida.
Mesmo que a mulher tenha vida saudável, não fume ou não beba, ela não evitará a diminuição da reserva ovariana. A baixa reserva ovariana significa que ela tem menos óvulos que a média das mulheres da idade dela. A queda poderá ser mais lenta ou mais rápida, variando de paciente para paciente. Se a tendência de queda for aguda, ela chegará mais rapidamente à menopausa.
É muito comum as mulheres ficarem surpresas quando descobrem que têm pouco tempo de vida fértil. Principalmente se não tiverem um companheiro para antecipar o projeto de ter filhos. Isso é relativamente comum mesmo em mulheres por volta dos 30 anos de idade. A vantagem é que, nesta idade, ainda é relativamente fácil ter filhos se começar a tentar. Mas, se tiver baixa reserva por volta dos 40 anos de idade, a situação é mais complicada porque a qualidade dos óvulos é bem pior.

2 – A quantidade de óvulos pode ser avaliada pela reserva ovariana

A reserva ovariana pode ser quantificada de diversas formas. Pode-se contar a quantidade de folículos antrais (CFA) no início da menstruação pela ultrassonografia transvaginal (USGTV). É um exame simples de ser realizado que dá uma boa ideia se a mulher tem bastante folículos, dentro dos quais encontra-se o óvulo. No início da menstruação ocorre o crescimento de vários folículos até o quinto dia do ciclo, quando termina o processo de dominância folicular.
Após esse período, um folículo passa a crescer mais que os outros, que vão para atresia (não servirão mais para procriação). Esse processo ocorre todo mês, ou seja, é inevitável o consumo dos óvulos.
Assim, com o USGTV conta-se a quantidade desde folículos pequenos, não dominantes. Temos uma boa ideia do potencial de resposta ovariana quando administramos medicamento para estimular a ovulação. Dessa forma é possível ter uma noção do tempo de vida fértil da paciente. Se tiver baixa CFA, ela terá pouco tempo de vida fértil, e se tiver alta CFA, indicará que terá muito tempo de ovulação.
Outra forma de avaliar a reserva ovariana é a dosagem no sangue do hormônio anti-mulleriano (AMH). Esse hormônio é produzido pelos folículos ovarianos. Quanto mais folículos, mais alta é a dosagem do AMH e vice-versa. O valor é expresso em um número que pode ser colocado em gráfico, ficando fácil para a paciente enxergar a avaliação da sua reserva ovariana.
Existem outras formas para tentar quantificar a reserva ovariana, mas as duas primeiras são as mais modernas utilizadas. Uma forma de fazer a estimativa seria a dosagem do hormônio folículo estimulante (FSH) e estradiol (E2) no terceiro dia do ciclo menstrual. Se o FSH estiver alto, significa que o ovário está funcionando pouco pois é ele que estimula o ovário a produzir folículos. Outras formas de tentar predizer se a paciente tem boa ou má reserva ovariana têm pouco interesse prático.

3 – Não basta ter boa quantidade de óvulo para achar que é fértil

Com o avanço da idade vai piorando a qualidade dos óvulos e consequentemente aumenta a possibilidade de gerar filhos com alteração genética. Assim, mesmo mulheres que têm bastante óvulos (boa reserva ovariana), como ocorre com as mulheres com ovários policísticos, podem ter poucos óvulos viáveis. Inquestionavelmente, mulheres por volta dos 40 anos têm muito mais óvulos ruins do que aquelas com 10 anos a menos. Por outro lado, algumas mulheres podem ter má qualidade mesmo mais jovens.
Não temos como garantir a boa qualidade dos óvulos mesmo nas jovens. Mesmo olhando os óvulos ao microscópio não é possível garantir sua qualidade. Uma maneira de avaliar melhor seria, após sua fertilização, fazer um exame genético do embrião formado. Dessa forma, seria possível uma avaliação muito mais apurada. Mesmo assim, não é 100%.
Portanto, quanto mais jovem, maiores são as possibilidades de ter óvulos de qualidade.

4 – O que fazer se a mulher tem poucos óvulos?

Como sabemos, a mulher não “fabrica” óvulos, ela vai consumindo os que ela tinha ao nascer. Dessa forma, não é possível aumentar a quantidade de óvulos ou evitar o seu consumo. Ou seja, não há como aumentar a reserva ovariana ou evitar que ela pare de diminuir. Quando não se tem mais óvulos, a alternativa para ter filhos é receber óvulos de outra mulher por algum programa de ovodoação.
Essa possibilidade nunca é aceita de imediato pelas pacientes que têm ausência ou baixa reserva ovariana já que o filho, produto de recepção de óvulos, terá a carga genética do pai e não da receptora. Porém, essa é uma solução bastante utilizada para concretizar o sonho da mulher ter um filho, mesmo com carga genética diferente.
O processo para a aceitação da recepção de óvulos é geralmente muito doloroso, por conta da dificuldade de aceitação pela receptora que não se conforma que tem boa saúde e não tem mais óvulos de qualidade para gerar o seu filho. Assim, normalmente ela tenta várias estimulações ovarianas, que geram um custo grande com medicações e honorários, além do estresse psicológico e desgaste físico pela quantidade enorme de injeções que são ministradas.
Quando ocorre a aceitação e realização da fertilização in vitro com resultado positivo, o casal geralmente fica muito feliz. Porém, não é fácil encontrar doadoras de óvulos já que elas precisam ser anônimas e respeitar diversas regras ditadas pelo Conselho Federal de Medicina (2015).
A última alternativa para a mulher que não tem mais óvulos e não aceita receber óvulos de outra mulher é a adoção.
Assim, seria importante a mulher guardar seus óvulos enquanto os tem em quantidade para utilização futura por meio da preservação da fertilidade.

5 – O declínio da fertilidade com a idade

Não muito tempo atrás, as mulheres que tinham filhos aos 28 anos eram consideradas idosas para tal feito. Estudos indicam que, aos 35 anos, a fertilidade feminina alcança a metade da chance apresentada aos 25 anos, e isso vai diminuindo gradativamente. Com 40 anos, a probabilidade de engravidar é a metade da confirmada aos 35 anos.
A partir dos 35 anos, os óvulos passam a envelhecer de forma mais ativa e isso pode interferir na formação do bebê que tem mais chances de apresentar deficiências cromossômicas. Aos 40 anos, um terço das mulheres já são inférteis. Depois dos 40 anos, as mulheres também enfrentam maiores riscos de aborto espontâneo, chegando a 57% aos 44 anos.
Com a idade, há maior risco de serem produzidos embriões com alterações cromossômicas, aumentando as taxas de abortamento e de algumas doenças cromossômicas, dentre elas a síndrome de Down. Em algumas mulheres esse processo de degradação dos óvulos inicia-se ainda mais precocemente, sendo que uma a cada 250 mulheres terão falência ovariana prematura ou menopausa precoce aos 35 anos, e uma em cada 100 mulheres, aos 40 anos.
Assim, seria importante a mulher guardar seus óvulos enquanto os tem com qualidade para utilização futura por meio da preservação da fertilidade.

6 – Aparecimento de doenças com avanço da idade que interferem na fertilidade

À medida que a mulher vai envelhecendo vão aparecendo alterações que podem comprometer a fertilidade. Doenças como diabetes gestacional, hipertensão, alterações hormonais com aumento de prolactina e disfunções na tireoide.
A endometriose é uma das causas mais comuns de infertilidade. É uma doença que se caracteriza por implantação de tecido endometrial (camada interna do útero) em outros locais fora do útero. Ela provoca alterações anatômicas em órgãos próximos do útero. Pode levar a aderências que podem ocluir as tubas ou causar seu mau funcionamento.
Também pode causar formações de cistos no ovário (endometrioma), que podem destruir os ovários se não forem tratados adequadamente. Durante uma cirurgia por endometrioma a paciente pode perder o ovário todo ou parte dele. A tendência da endometriose é piorar com a idade podendo comprometer a fertilidade de modo definitivo.
O mioma pode compreender a concepção natural ou a levar a maus resultados da fertilização in vitro. Ele pode crescer internamente ou desenvolve-se em locais em que pode obstruir a passagem dos embriões, interferindo na fecundação.
As aderências dos órgãos pélvicos, uns com os outros, poderão interferir na fertilidade ao dificultar o encontro dos óvulos com os espermatozoides. Pode ser tão intensa que chegam a comprometer a fertilidade de forma definitiva.
Assim, seria importante a mulher guardar seus óvulos enquanto há essa possibilidade para utilização futura por meio da preservação da fertilidade.

7 – Vida saudável ajuda, mas não impede a queda da fertilidade

Vá a uma clínica de reprodução humana avaliar sua reserva ovariana.
Muitas mulheres se surpreendem quando descobrem que sua fertilidade já está baixa, mesmo tendo menos que 35 anos e uma vida saudável.
Por vezes, mesmo aquelas com mais idade acham estranho que tenham poucos óvulos para garantir sua fertilidade. Independentemente da vida saudável, há perdas constantes de óvulos ao longo da vida e algumas mulheres têm menos óvulos que outras. Além disso, as doenças ginecológicas que comprometem a fertilidade podem aparecer ao longo dos anos, mesmo com hábitos saudáveis.
Mesmo assim, é sempre bom apostar em uma dieta equilibrada, fazer atividade física regularmente, dormir bem, evitar vícios como álcool e cigarro, e manter o peso sob controle. Tais medidas contribuem para garantir a função ovariana em melhores condições, mas não evitam a diminuição da fertilidade.
Por isso, é recomendável que você vá ao seu ginecologista para fazer avaliação da reserva ovariana se você ainda pretende ter filhos algum dia, mesmo aparentemente muito saudável e mesmo jovem com menos de 35 anos. É simples e rápido fazer a avaliação da reserva ovariana, basta uma ultrassonografia e dosagens hormonais no sangue.

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