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Cisto no Ovário: Dúvidas e Respostas

Cisto no Ovário: Dúvidas e Respostas

Postado em: 29 de novembro de 2017

Muitas são as dúvidas a respeito do cisto no ovário e tratamentos e cirurgia. Conheça as perguntas mais frequentes sobre o assunto.

Muitas são as dúvidas a respeito do cisto no ovário e tratamentos e cirurgia. Conheça abaixo as perguntas mais frequentes.

Os ovários têm importância fundamental para produzir óvulos e hormônios femininos. Assim, têm que ser abordados de maneira cautelosa para não prejudicar sua função em definitivo. Toda cirurgia leva, em maior ou menor grau, a perda de sua função. Desta forma, nas mulheres que desejam ter filhos a conduta cirúrgica deve ser minimizada. Porém, é indicada quando há suspeita de doença maligna. Vale ressaltar que o cisto no ovário é uma alteração benigna, que não tem relação direta com o câncer em sua grande maioria dos casos. Confira abaixo algumas das principais dúvidas frequentes no consultório.

O que é um cisto de ovário?

Cisto de ovário é uma lesão benigna de formação, com conteúdo líquido de alguns milímetros (até vários centímetros), como uma bexiga, porém, seu tamanho pode oscilar, chegando a ocupar todo o abdome. Quando pequenos e múltiplos, são bilaterais e diagnosticados como ovários policísticos, tendo relação direta com problemas de ovulação. Em raras situações, podem ser malignos e nesta condição, geralmente contam com paredes irregulares ou contam com conteúdo sólido no próprio ovário ou ao redor do mesmo.

Quanto suspeitar de cisto no ovário?

Na maioria das vezes, o cisto de ovário não provoca qualquer sintomatologia. Pode, sim, causar leve desconforto no baixo ventre, ou mesmo uma dor fraca, que pode intensificar-se se ocorrer complicações como rotura. Assim, boa parte das vezes o cisto é achado em exame de ultrassonografia de rotina, quando a paciente sente leve dor e o ginecologista pede o exame de ultrassom ou faz o exame ginecológico.

Não se deve confundir cisto de ovário com ovário policístico, que geralmente é identificado quando a paciente tem alterações menstruais (atrasos menstruais constantes) e realiza-se a ultrassonografia, observando-se vários pequenos cistos de até 6-7 mm, distribuídos nas camadas mais externas dos ovários.

Quais os tipos de cisto de ovário?

No início do ciclo menstrual existem várias pequenas formações císticas que crescem até 6-7 mm. Por volta do quinto dia do início da menstruação, começa a destacar-se uma das formações císticas, que passa a crescer e outros diminuem. Este que cresce é o dominante que após pouco mais de 2 cm estoura, liberando o óvulo (ocorre a ovulação) e o cisto desaparece. Mas, ele pode persistir, sem ovular e crescer até vários centímetros. Quando o cisto persiste por mais de dois ciclos menstrual é sinal que ele não vai diminuir, tendo que questionar a possibilidade de cirurgia. Se há a constatação que não tem origem maligna, pode-se continuar acompanhando-o por meses. A paciente dever ser alertada quanto ao risco de complicações como torção ou rotura.

Na paciente com ovários policísticos, os pequenos folículos param de crescer com 6-7 mm, não ocorrendo uma ovulação. Esta falta de ovulação acarreta a impossibilidade de gravidez, o aumento dos hormônios masculinos na mulher e os ovários ficam maiores que os ovários normais, mas não apresenta nenhum cisto maior.

Às vezes o cisto pode ter alguns componentes sólidos em seu interior, sendo que em jovens, poderá corresponder à teratoma de ovário.  A formação cística complexa, parte líquida e sólida, ocorre em mulheres mais velhas (depois da idade reprodutiva), e pode sugerir um tumor maligno do ovário.

Outros tipos de cisto ovariano são: endometrioma, cisto dermoide e cistadenoma.

O que o cisto no ovário pode causar?

Além de leve desconforto ou mesmo dor ou incomodo na região ovariana, o cisto de ovário pode causar muita dor quando ocorre a torção. Por ser uma estrutura pediculada, a base do ovário pode torcer-se devido à movimentação do cisto durante um movimento brusco da mulher, causando dor aguda e intensa, podendo inclusive romper.

Quando muito grande, o cisto no ovário pode levar a um grande desconforto na região abdominal, dificuldade respiratória ou mesmo distúrbios intestinais e urinários.

O cisto por si só não causa distúrbios menstruais ou infertilidade. Estas alterações são causadas por distúrbios hormonais nas pacientes com ovários policísticos.

A menstruação sofre alteração com o cisto no ovário?

A menstruação geralmente não altera com o cisto de ovário, mesmo que seja de endometriose. Por outro lado, quando o cisto aparece por persistência de um folículo (cisto fisiológico, natural) que não ovulou, pode relacionar-se com o mecanismo normal do ciclo menstrual, acarretando irregularidade menstrual.

Pacientes com ovários policísticos geralmente apresentam atrasos menstruais de 2-3 meses e encontram dificuldades para engravidar por falta de ovulação.

O que fazer quando descobrir o cisto no ovário?

Primeiramente é necessário saber qual é a causa deste cisto. Alguns cistos desaparecem sem medicação, outras vezes o tratamento pode ser simplesmente a administração de pílula anticoncepcional, que pode acarretar o desaparecimento de boa parte dos cistos benignos funcionais. Se eles não desaparecerem em 2-3 meses, deve-se pensar em realizar a vídeolaparoscopia para tratamento e esclarecimento diagnóstico.

Pacientes com ovários micro policísticos são tratados com medidas gerais (emagrecimento), anticoncepcionais, indutores da ovulação. A cirurgia (drilling) é exceção.

Ovário policístico e Síndrome dos Ovários Policísticos, qual a diferença?

Muitas mulheres têm ovários policísticos sem qualquer relevância clínica. Mas, se passar a ter atrasos menstruais de 2-3 meses ou mais, sinais de aumento de hormônios masculinos (aumento de pelos, acne) e obesidade, através de uma ultrassonografia poderá observar se há ovários micropolicísticos. Estas pacientes têm dificuldade de engravidar pela ausência de ovulação, alterações hormonais (aumento de hormônios masculinos) e também há maior prevalência de diabetes.

Cisto de ovário pode ser endometriose?

A endometriose pode aparecer no ovário levando a formação de cisto (endometrioma) que vai crescendo com velocidade e tamanhos variáveis. Contém material que se assemelha a chocolate derretido, as vezes com liquido mais espesso e outras vezes mais fluido. Podendo ser único ou múltiplo e em um ou em ambos os ovários. Ele pode comprometer a função ovariana, diminuindo a produção de óvulos naturalmente ou quando se estimula para fertilização in vitro. Mesmo assim, é raro ter que operar o endometrioma devido ao risco de comprometimento da quantidade de óvulos.

Qual a relação entre cisto no ovário e câncer?

O câncer de ovário pode ter algumas partes com líquido, ou a maior parte com esta aparência à ultrassonografia. Por isto, algumas vezes não é fácil diferenciar um cisto benigno do maligno. Não é comum, mas a etiologia maligna do cisto pode ser confirmada após a cirurgia.  O câncer geralmente é encontrado em mulheres com mais idade, depois dos 45 anos, podendo acometer jovens. Na grande maioria das vezes é descoberto em exame ultrassonográfico de rotina ou quando a paciente tem pequena sintomatologia no baixo ventre. Existem diversos exames que podem ajudar a diferenciar o benigno do maligno e por isso, a rotina ao médico de confiança é essencial.

Qual a relação entre cisto no ovário e infertilidade?

Quando se fala em cisto de ovário muitas mulheres pensam em infertilidade. De fato, o que está mais relacionado à infertilidade são os ovários micropolicísticos em pacientes com atrasos menstruais constantes. Estas pacientes têm maior dificuldade de ovulação, por isto demoram mais para engravidar ou abortam com mais frequência devido às alterações hormonais. Na realidade elas não têm um cisto de ovário (formação que parece uma bexiga), elas têm vários pequenos (de até 6-7 mm). O tratamento consiste na estimulação da ovulação ou no controle das alterações hormonais, não é a cirurgia para retirar o cisto.

Pacientes com cisto de endometriose (endometrioma) podem ter um pouco mais de dificuldade pelas alterações causadas pela endometriose. Diversos tecidos semelhantes à camada interna do útero podem espalhar-se pela pélvis (focos de endometriose) ou mesmo se alojar nos ovários e assim, crescer com as menstruações (endometrioma).   Os focos de endometriose podem levar a aderências, produzir substâncias que dificultam a gravidez ou levam a abortamentos. Atualmente, não se opera endometrioma com objetivo de melhorar a fertilidade, pelo risco de acabar com os óvulos.

Cistos de ovários únicos geralmente não tem relação com infertilidade e geralmente desaparecem espontaneamente.

Um bom parâmetro para ver se a paciente está com alteração hormonal e problemas de fertilidade é a menstruação. Com menstruação cíclica regular (normal) não deve ter alteração hormonal, por outro lado, se a menstruação é irregular, a mulher deve ser investigada qual a causa da irregularidade menstrual.

Quando fazer tratamento clínico em mulheres com cisto no ovário?

A cirurgia pode ser evitada com conduta mais cautelosa. Se o cisto é pequeno, de até 5 ou 6 cm, sem qualquer característica que lembre malignidade, pode-se observar por 2 ou 3meses. Repete-se a ultrassonografia após as menstruações para ver se desapareceu. Esta conduta é mais eficaz em mulheres jovens. Nas mulheres por volta dos 50 anos ou mais, não é uma conduta recomendada, sendo a cirurgia geralmente a conduta.

Quando o cisto é grande ou de endometriose, geralmente não desaparecem com qualquer tratamento clínico. A indicação cirúrgica não é urgente e deve ser muito bem indicada pela possibilidade de comprometimento da reserva ovariana (quantidade de óvulos).

As pacientes com ovários micropolicisticos devem ser acompanhas clinicamente, indicando-se anticoncepcionais para controle dos hormônios que estão alterados, medicamentos para diminuir hormônios masculinos ou para resistência insulínica (estas pacientes tem tendência de ter diabetes).

Quando operar a paciente que quer engravidar e tem cisto no ovário?

Quase nunca se opera uma mulher com cisto de ovário com o objetivo de aumentar a fertilidade. Em raras vezes, pode-se fazer o “drilling” ovariano que tem o objetivo de provocar furos no ovário com bisturi elétrico, causando diminuição dos hormônios masculinos dentro do ovário.

A indicação cirúrgica com objetivo de aumentar a fertilidade não é realizada, mas pelo risco de complicações ou na vigência de complicações, há indicação cirúrgica. Assim, o cisto pode torcer, o que é grave, pela dor causada, pelo comprometimento da vascularização, danificando o ovário ou ele pode romper causando hemorragia interna. Deve-se operar com cautela e tentado manter o ovário o mais intacto possível. Por isto, é melhor realizado pela videolaparoscopia (cirurgia realizada com a introdução de uma óptica no interior do abdome pelo umbigo que amplia as imagens). Assim, retira-se o cisto e mantêm-se os ovários. Mesmo, que se realize o mais cuidadosamente possível é quase invariável a perda de alguns óvulos. Por isto, evita-se opera os cistos de endometriose (endometrioma).

Ao invés de retirar o cisto pela videolaparoscopia, pode-se puncionar o cisto com ultrassom transvaginal. Apesar de ter vantagens, é uma técnica que não é muito realizada pela alta recidiva e pelo risco de estar puncionando um cisto com componente maligno.

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